São Paulista, Santa Augusta
// março 5th, 2009 // Colunistas, Crônicas, San Picciarelli
Mesmo que não haja motivos suficientes para que as crenças tomem agora o lugar das razões, ainda assim, subjaz uma cínica e acinzentada sensação de paz, de arredor, entre os largos e vácuos cômodos da cidade. Basta que caminhemos desarmados de nossas inquietudes, pelas venosas ruas e avenidas dispostas na imensidão da divisão e dos caminhos, para que caiamos voluntariamente no mínimo geo-métrico de nossos próprios descaminhos.
A nascente líquida e férrida de linhas e contornos, feita os trilhos de uma locomotiva a todo o vapor, com perca umidade relativa e rasa liquidez sensorial, simplesmente, nos descarrila. Não daquele que vê a via, dentro de nós mesmos, auto-absorvido pelo ódio ocioso da nossa intemperança. Mas daquele que via o caminho, do lado de dentro do outro, que nos cerca daquele modo tão não-intencional, sobremaneira inocente e ainda assim, emocionalmente carnívoro.
Há luz por entre as frestas, há o café quente e o rebuscado carbônico dos escapamentos. Não há escapatória. Há muitas válvulas, de escape, que escapam… Mas a ordem, não há.
As esquinas não mais guardam a poesia dos tempos e os seus cantos escuros, cada vez mais escuros, já não mais dependem da espreita ou da escapada da sorte para atrair a captura dos vitimados e dos voláteis. A sua acolhida nem sequer se ruboriza e o seu convidatorismo não é menor que o seu descaramento. E dali, do meio da sua cara suja brotam os germinais mais pueris, das suas entranhas, brutalmente preparados para tudo, totalmente despreparados para nós. Poderiam ser os nossos filhos…
E de nem sequer conhecimento, sequer percepção, horrorizamo-nos copiosamente, quase que disciplinarmente, para que assim não nos envolvamos.
É melhor por esta via…
É mais segura essa sorte…
A vergonha e a anestesia moral.
Eu e
As vias.





