
Filme: Tony Monero (Brasil/Chile)
Tony Manero é o primeiro filme chileno em circuito desde Machuca (2004) de Andrés Wood, dirigido por Pablo Larraín. Tony Manero chegou às telas brasileiras no dia 10 de abril, com ares de comédia, por fazer referência em seu titulo ao personagem que emplacou a carreira de Jonh Travolta e lhe rendeu a fama de “rei da discoteca”, em Os Embalos de Sábado à Noite (1977).
Aparentemente a linha condutora do filme é um período na vida de Raúl Peralta (Alfredo Castro), um homem de meia idade que sonha em se tornar o “Tony Manero do Chile” em um concurso na TV local, em meio à ditadura de Pinochet; no entanto ao longo dos 98 minutos, a trama nos revela de forma sutil quanto o momento histórico colocado subjetivamente como pano de fundo da historia é quem dá o timing do filme.
Em 1977, o ano de lançamento de Os Embalos de Sábado à Noite, o Chile já passava por quase quatro anos imerso na ditadura do General Augusto Pinochet, que impôs uma grande censura á todos os meios de expressão, abrindo espaço apenas para filmes Americanos e em especial musicais, o que explica a escolha de Tony Manero de John Travolta como ferramenta de construção do personagem central.
A forte censura da época, também é revelada de forma quase que subjetiva nas primeiras sequências, onde a produtora do programa da TV passa as informações para os participantes do concurso da semana, frisando que “não se pode falar mal do governo e fazer piada sujas” e ao longo do filme por meio da viúva de um militar que, após sofrer um assalto e ser ajudada por Raúl, ressalta a cor dos olhos azuis de Pinochet e usa o termo mapuche (na língua Mapundungu, gente da terra) para se referir de forma pejorativa ao povo chileno.
O diretor Pablo Larraín conclui sua crítica usando o micro cosmo onde o protagonista vive, uma pensão e bar onde todos os moradores idolatram o personagem central e o estimulam a trilhar o impossível para chegar a se tornar o mais próximo possível do seu ídolo, revelando uma teia de relações enfermas entre seus personagens que, somadas à decadência da cidade de Santiago, refletem de maneira brilhante a forma sombria na qual a classe média e baixa foi submetida durante da ditadura de Pinochet que só teve fim nos anos 90.
Tony Manero foi filmado digitalmente e em grande parte com câmera na mão o que imprime realismo nas cenas, em maior parte close nas expressões do protagonista, preferindo, dessa forma, usar desse artifício para sugerir situações violentas onde apenas as reações do protagonista são vistas.
Prêmios: vencedor do 4º Sanfic – Festival de Cinema de Santiago do Chile; Prêmio de Melhor Filme, Melhor Ator para Alfredo Castro e FIPRESCI no 26º Festival de Turim; Prêmios Coral de Melhor Filme e Melhor Ator para Alfredo Castro na 30º Edição do Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana; o canditado chileno ao Oscar 2009 na categoria de filme estrangeiro.
Tony Manero: Brasil/Chile (2008) – Direção Pablo Larraín.
Com Alfredo Castro, Amparo Noguera, Hector Morales, Paola Lattus, Elisa Probete.
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