Cinema: Sinédoque, Nova York

Estréia nessa sexta-feira o filme “Sinédoque, Nova York”, dirigido por Charlie Kaufman. A trama pode ser resumida em poucas palavras, mas que não darão a dimensão do filme. Após a mulher levar a filha para uma viagem sem expectativa de volta, o diretor de teatro Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman, … um dos melhores atores dos dias de hoje) recebe a incumbência de escrever sua primeira peça.

Sinédoque, Nova York (foto: Divulgação)

Sinédoque, Nova York (foto: Divulgação)

Em crise profunda e querendo criar algo real, Cotard, uma espécie de alter-ego de Kaufman, propõe refazer o seu mundo no palco – em cada detalhe –, para poder se observar, tentar se entender e compreender todos à sua volta. Assim, vemos uma cena que se passa na vida “real” se repetir exatamente igual na peça, dentro de um cenário que é a cópia milimétrica da original fora dos palcos.

Mas a história não é óbvia assim, nem segue uma cronologia como estamos acostumados. Se no início é uma comédia nervosa de erros, em que as tais figuras de linguagem são mais claras, como a hipocondria do protagonista aparecendo literalmente na sua pele, do meio para o fim, o longa fica amargo, triste, introspectivo, e cada vez mais enigmático. Não que seja impossível entendê-lo, mas é clara a vontade de Kaufman se ater mais às sensações que aos detalhes.

Com “Sinédoque”, o agora também diretor faz uma investigação sobre quem ele é e qual é o seu papel no mundo. Cotard cria um duplo para si mesmo – recurso que já tinha sido utilizado pelo próprio Kaufman em “Adaptação” –, observa o seu personagem tomando rumos que ele não seguiu e faz ressalvas quanto aos desenlaces. É um homem perdido, sozinho, que não sabe quais são suas motivações. Só fica satisfeito quando, apesar de ter a possibilidade de criar um mundo inteiro na ribalta – ou nas telonas – não precisa decidir o seu destino. Está cansado, confuso e quer apenas obedecer a um diretor que sopre suas falas pelo ponto eletrônico.

Nas mãos de outro diretor, seria um filme histórico, como aliás são os seus “Brilho eterno…” e o menos conhecido “A natureza quase humana”, ambos dirigidos pelo francês Michel Gondry. Nas de Kaufman, se torna um filme repetitivo. Mudando a figura de linguagem de sinédoque para pleonasmo vicioso.

fonte: G1

Direção: Charlie Kaufman

Frei Caneca Unibanco Arteplex – R. Frei Caneca, 569, 3º piso – Consolação – Centro. Telefone: 3472-2365. Ingresso: R$ 13 a R$ 18. Desc. 50% para correntistas do Itaú e Unibanco. sexta a quinta: 14h10, 16h40, 19h10 e 21h40. sábado: também às 24h. Tem som digital. Aceita cheques. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficiente. 125 lugares.

HSBC Belas Artes – R. da Consolação, 2.423 – Consolação – Centro. Telefone: 3258-4092. Aceita os cartões Diners, MasterCard, Visa. Ingresso: R$ 8 e R$ 16. sexta a quinta: 14h, 16h30, 19h e 21h30. Não tem som digital. Não aceita cheques. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficiente. 293 lugares.

1 Feedback

  1. Troveiro 19. abr, 2009 em 9:12 #

    Vale a pena falar sobre a influência do trabalho do dramaturgo Harold Pinter e seu teatro do absurdo no filme. A obra é insana, Charlie Kaufman escreveu também “Quero Ser John Malkovich”, “Adaptação” e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, então dá para saber que das ideias ele não bate bem. A associação com Pinter, além do roteiro absurdo (e difícil e exigente e genial), vem logo na primeira cena, com uma referência à sua morte. E é sobre isso o filme – morte, envelhecer, o eterno outono que o protagonista Caden Cotard vivencia.

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