Entrevista: As boas marcas…

Deixar marcas é uma das características mais certeiras da Rua Augusta… É muito provável que em algum momento, algo seja impresso naqueles que passam por ela. Atualmente ciculam em média cerca de 250 mil pessoas mensalmente pela região da baixa-Augusta, quer seja para passear ou só de passagem, para comer ou ser comido, a trabalho ou à toa.

Hoje no final da tarde eu tive contato com três caras muito bacanas que, ironicamente, também são especializados em deixar marcas nas pessoas. Estou falando de Léo, Zeca e Xim, os artistas tatuadores que estão à frente do New-Wind Tattoo Studio. É na curiosamente pacata galeria, bem à frente do espaço Unibanco de cinema, que há oito anos bate firme com os pés no chão um estúdio cheio de moral, atitude positiva e um público justificadamente fiel.

Tigre, Quadro da Casa

Tigre, Quadro da Casa

“Cara, eu tinha uma lojinha de body piercing ‘falidaça’ na Móoca e precisava urgentemente mudar de ares. Provavelmente ficaremos aqui por mais uns 50 anos… mas vir para cá foi meio que na cagada mesmo” comenta Léo, que em 2001 começou a rabiscar sua história com muito trabalho junto do amigo Carlos [ex-New Wind, que ficou por estas bandas por uns sete anos e agora está em seu estúdio próprio na região do Jabaquara]

O mais bacana foi descobrir que o New-Wind é praticamente um dos únicos estúdios de tattoo da cidade que trabalha exclusivamente com tatuagem ‘customizada’. “Se a tatuagem é da casa, então é um trabalho obrigatoriamente original e que não será repetido. Podemos até fazer a reprodução de algo que o cliente acaba trazendo para tatuar, mas nosso principal cliente é aquele que busca o estilo que cada um de nós estuda individualmente há anos” comentam os três sobre que tipo de trabalhos orientam o dia-a-dia do estúdio.

Se você é médico, advogado, plugado, aborrecente, engravatado, maluco, criativo ou então uma senhora de 65 anos que está atualmente terminando de cobrir os dois braços com seu grito aliviado de liberdade e os belos traços desses três locais, relaxa, nem se sinta o tal: o seu tipo já passou por aqui.

O estúdio não faz divulgação na mídia e não participa de ações comerciais ou de publicidade com sua arte. “Abominamos anúncios em revistas e jornais… rimos pacas disso o tempo todo. Nosso cliente gosta de tatuagem e nem de longe é aquele sujeito que encontra algo para carimbar no corpo numa revista de moda, fofoca, etc…” agulham Léo e Zeca, sem anestesia. “Se quiséssemos uma lista de espera, tava fácil…: é só entrar nessa máquina aí. Não temos qualquer interesse nisso” explica Léo ao pontuar sobre a facilidade de ajeitar os seus horários e não deixar nenhum cliente da casa de fora.

Como todo bom estúdio de tattoo deve ser, o New Wind não foge à regra e a acolhida é calorosa e também simples, uma combinação infalível. Há espaço para bons equipamentos e quadros artísticos que abraçam o mural com a temática da tattoo (pintados pelos três) e que só saem dali para se dependurar em raras exposições ou mostras, à convite. O lugar tem cor, ótima vibração e uma atitude positiva, receptiva… mas sem se esquecer de deixar bem claro que ali não se tatua curiosos ou quem não quer alcançar um vínculo com essa arte sempre muito atual.

Como coisa boa não está jogada por aí, quando passar pelos cinemas do espaço Unibanco dê uma olhadelha lá para cima da galeria e procure pelo letreiro em neon que convida a poucos: “TATTOO”. Se estiver acesso, então tem tinta na agulha, boa informação e gente fina na casa.

  • Léo foi fabricado na paz de Pindamonhangaba, mas o seu esboço final encontrou endereço na capital mesmo. É morador da baixa-Augusta e dá aulas de jiu-jitsu ao lado do Vegas Club, quando sobra tempo, e sua carreira é totalmente voltada para a arte e a tatuagem.
  • Não diferente na dedicação e no estudo, o gaúcho Zéca acaba de tirar a carteirinha de papai. De fala amigável, só dá para saber que ele veio do Sul se ele contar mesmo.
  • Aliás, nem mesmo o concentrado Xim, boa-praça original de alguma praça lá de Juiz de Fora, tampouco tem cara de mineiro. De tão unidos e dedicados que são, fazem escola até entre si. Xim está esperando para começar a pintar as paredes do quarto de casa – vai ser ‘pappá’ também. Agora, só falta o Léo…

Bem gravados na vibração da Augusta de longa data, vindo de todo o canto, e com uma puta cara de paulista.

Anote aí, o Serviço é o seguinte:

New Wind Studio

Léo, Zeca e Xim

1492, Rua Augusta – sala 23

www.fotolog.com/new_wind

Confira fotos da entrevista:

San Picciarelli


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