Você chegou do trabalho. Correu feito um bom paulista e se calhar nem conseguiu comer alguma coisa boa durante o dia, que provavelmente já se foi. A noitinha (ou então na calada da madrugada), seu estômago ronca junto com a sua fissura por uma coisa que sempre queremos comer em horas assim: pizza.
Normalmente comemos pizza com mais alguém… ou isso ou então mastigamos dois ou três pedaços daquele último pedido e jogamos fora todo o resto. Além do mais, só podemos pedir no máximo “meia disso” e “meia daquilo”, sem contar o preço… Afinal, ninguém vai pedir uma pizza para comer com pessoas que não gosta só para economizar!
Querer matar a fome é algo que pode acontecer em qualquer lugar ou hora, por qualquer razão. Não seria muito ‘massa’ se desse para resolver o problema bem do jeito que a gente quer? Então, provavelmente você não baixou por aqui na Augusta e parou no Pedaço da Pizza…
Essa semana eu conversei com Danilo, massa fina e proprietário da rede, que me contou umas coisas bacanas sobre como os pedaços foram se juntando até o que a gente conhece hoje.
Há mais de dez anos atrás, havia uma empresa que fabricava as massas para as marcas Frescarini e Danone que acabou se mudando para a Argentina. Após um incêndio, o dono procurava descobrir o que fazer para se recuperar e decidiu voltar para o Brasil, fazendo uma experiência pouco comum para a região do jardins (lugar da primeira loja): vender pizza aos pedaços, numa loja de frente para um poste e no meio de um público que aparentemente acharia que comer pizza com a mão era praticamente um sacrilégio contra Nossa Senhora das Boas Maneiras. Mal sabia ela que quase tudo ia acabar em escarola com anchovas…
Dois anos depois, Danilo compra a loja dos jardins e parte imediatamente para uma outra aposta: montar uma loja apertada, no meio de uma infestação de outros fast-foods, com degrau na porta (nada friendly para cadeirantes), lá no centrão e com o mesmo produto: pizza em fatias. Boom!
Desde então, as filas do Espaço Unibanco se misturam com a fila para a massa do pré-filme, que vem sempre bem servida de ingredientes tradicionais e também exóticos (como a de três cogumelos e a de shimeji com couve). Segundo Danilo – e a experiência cativa deste que vos fala – a pizza “não dobra na mão” mesmo e frescuras do tipo luvinha e garfo são meras distrações da inconveniência. Com um bom punhado de pimenta sêca, azeite extra-virgem e alho assado, as pratas da casa, fechou que a sua ‘fome sem hora’ está com os minutos contados.
A baixa-Augusta pode muito provavelmente ser o único lugar onde podemos dizer com tranquilidade politicamente correta que tudo pode acabar em pizza. Não é por acaso que a tal lojinha recebe uma maioria de pessoas – de todos os tipos e em todos os horários – que vão sozinhas ou em pequenos grupos para se esbaldar até com pizza de chocolate com morango ou com banana. Não há larica que aguente…
O curioso é notar que para os paulistanos a idéia de pizza de balcão é mais velha que pizza de mozzarella. Basta perguntar a qualquer um que já se des-esfomeou com dois ou três pedaços no buteco ou na padaria mais próxima. É claro que muito provavelmente não se pode fazer isso com uma fatia finalizada na hora, com bom preço e ingredientes para todos os gostos lá no seu buteco preferido. E se você chegar de madrugada então, provavelmente vai comer algo que já mereceria uma velinha de aniversário de tão ‘novinha’.
Se lhe incomoda uma muvuquinha apertada e um bom bate-papo na fila de espera (que certamente vai lhe pegar às noitinhas cinematográficas), de certo que você ou não é bom paulista, ou é melhor fazer uma reserva num restaurante com manobrista aqui da região.
Já se você se satisfaz com chão de madeira, mesas harmoniosamente diferentes umas das outras e um playlist de música ambiente de gosto bem bacana, como a pizza, o neon aceso na porta avisa que você pode chegar a qualquer hora do dia ou da noite.
Uma curiosidade que o Danilo que contou… de tão à vontade que as pessoas se sentem, cantando alto junto com a música, olhando para os graffitis na parede ou compartilhando as grandes mesas com desconhecidos, vira-e-mexe estava acontecendo de algumas pessoas simplesmente entrarem na cozinha, pegar uma faca e cortar as suas fatias de limão para mergulhar no gargalo da garrafa da cerveja Sol – loura do tipo mexicana que claro, não pode faltar.
Segundo o jovem proprietário da casa, o bem-estar é mais do que bem-vindo, mas pede-se ao bom senso para evitar invadir o reduto do pizzaiolo!
Vai que é massa! Anote:
Serviço:
O Pedaço da Pizza
Rua Augusta, 1463 (Loja Bela Vista)
(abre sempre ao meio-dia)
Segundas: fecha às 22hs50
Terças/Quartas: fecha às 04hs00
Quintas/Sexatas: fecha às 05hs00
Domingos/Feriados: fecha às 02hs00
Aceita cartões de crédito, débito e redeshop e
No horário comercial aceita Visa-Vale, TR Eletrônico, VR Smart e Sodexho Pass.
San Picciarelli

