
Zelia (mãe) e Bianca Trevizan (filha), de 10 anos
As notas mais baixas de Bianca Trevizan da Silva, de 10 anos, que cursa a quinta série do ginásio, são na disciplina de Educação Artística. Apesar de não gostar de fazer as lições da escola, a menina chama atenção com as pinturas coloridas que faz com spray nas ruas de São Paulo.
Filha da grafiteira Zeila Trevisan, Bia começou a desenhar aos seis anos com apoio e incentivo da mãe. Hoje, ela integra o grupo de artistas de rua formado por mulheres chamado Noturnas e seus desenhos de meninas podem ser vistos em muros como os da Avenida Rebouças e nos bairros do Imirim e Pompeia.

Mesmo com o preconceito que ainda existe em relação ao grafite, a mãe diz que a arte sempre deve ser incentivada. “Toda criança gosta de desenhar, mas os pais não incentivam e elas vão perdendo o interesse”, conta Zeila.
Além da mãe, Bia admira as grafiteiras Suzue e Tikka. Em quatro anos de pinturas nas ruas ela ganhou elogios dos amigos da escola e conta que já desenvolveu técnicas próprias para desenhar. “Agora estou treinando para desenhar letras”, afirma. “Hoje todas as minhas amigas querem sair para pintar comigo.”
Apesar do envolvimento com a arte de rua, Bia nem se lembra da história da menina britânica de 11 anos que grande repercussão na internet por causa de seus grafites. Solveig começou a pintar muros perto de sua casa aos 8 anos e passou a ser convidada por grafiteiros para participar de pinturas em Londres e chegou até a tatuar um personagem na perna de um fã.
Para a mãe e grafiteira Zeila, o excesso de exposição de crianças que fazem arte é perigoso. “Se os artistas adultos já se perdem quando começam a ficam famosos demais, imagina uma criança”, diz. “Eu sempre converso com a Bia sobre isso. O importante é manter o foco no trabalho.” Mesmo com a atenção que tem despertado nas ruas, Bia leva a arte apenas como diversão e não pretende seguir carreira na pintura. Nova moradora de uma rua com diversos grafites no bairro do Alto da Lapa, em São Paulo, ela se preocupa apenas em desenhar, dançar e ouvir música. “Quero ser cantora”, afirma e sai cantando e dançando no quintal com as amigas.
Para saber mais:
www.fotolog.com.br/bia_noturnas
Vídeo Bia: