O frio, apesar do que implica já no nome e em um lugar como São Paulo, ainda pode ser uma das ‘ferramentas’ sociais das mais curiosas. É fácil notarmos como se arqueiam os corpos e as posturas quando se movimentam por uma esquina e outra, ruas afora. Paradoxalmente, me parece que as pessoas ficam um bocado mais simpáticas no frio.
É chegada mais uma vez a época de beber café e chocolate quente pelos coffee-shops e butecos da baixa-Augusta, trocar a cerveja pelo vinho, invadir o espaço de mesas cobertas… Na noite passada os termómetros diziam o que ninguém acreditaria se não pudesse sentir com os próprios ossos: 7ºC.
Como temperatura, nada demais para essa época do ano, com excepção de que o tempo tem de facto se alterado mais bruscamente nos últimos tempos. Como um fenômeno de impacto no comportamento urbano, é algo de único, de se esperar… se desejar.
Uma das coisas que me agradou imenso na Augusta desta fria quinta-feira foi a quantidade de vezes em que vi e ouvi as pessoas dizendo “pois não”, “depois de você” e um festival discreto de abrir de portas e dar-se passagens para o fulano e também o sicrano. Seria isso o frio? Será que sem a possibilidade de nos mexermos tão rápida ou flexivelmente, nos convertemos em pessoas mais… flexíveis?
Que se lotem os cafés por todo esse frio final de semana que nos espera. Que se aconcheguem os bons modos em detrimento da ausência tão esperada de pressa e pseudo-rapidez.
Hoje, o cinza é boa cor e está belo aqui por estas bandas.
