“Mangue Negro” é um daqueles filmes que conquista uma aura especial por lançar um olhar brasileiro sobre um tema inusitado no cinema nacional. O trabalho do capixaba Rodrigo Aragão é um filme de zumbis que se passa nos manguezais do Espírito Santo. Ele é uma das atrações do SP Terror – Festival Internacional de Cinema Fantástico, que acontece em São Paulo de 25 de junho a 2 de julho.
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Cena de “Mangue Negro”, de Rodrigo Aragão, dá sabor brasileiro à clássica história de zumbis
A história é simples: zumbis começam a atacar os moradores de uma pequena comunidade de um manguezal. A partir daí, “Mangue Negro” (2008) é um festival de sangue esguichando de corpos mutilados. Porém, essa sinfonia sanguinolenta ganha uma pausa no meio do filme, quando Dona Benedita, uma “preta velha”, tentará evitar a morte da mocinha de “Mangue Negro”. A figura conhecida da nossa cultura popular é o toque de brasilidade em uma história que já vimos ser contada por Hollywood inúmeras vezes.
De certa forma, a graça de “Mangue Negro” está em seu tempero brasileiro. A mocinha possui um ar brejeiro comumente associado às mulheres simples da zona rural do Brasil. Também o herói, apaixonado pela mocinha, possui uma timidez e certa ingenuidade que quase sempre identifica o estereótipo do homem do campo. São esses personagens com traços nacionais que enfrentam os zumbis. É como se o cineasta quisesse colocar o Jeca Tatu como protagonista do filme “A Noite dos Mortos Vivos”, de George Homero.
“Mangue Negro”, o primeiro longa de Aragão, custou em torno de R$ 50 mil. O filme deixa transparecer a pouca verba de produção, mas ele compensa a falta de recursos com criatividade e humor.
Os efeitos especiais e a maquiagem de “Mangue Negro” ficaram por conta do próprio diretor Rodrigo Aragão. Em uma entrevista, o diretor afirmou que foi autodidata e aprendeu as técnicas através de repetidas tentativas e assistindo filmes e “making ofs”. O resultado valeu o prêmio de efeitos especiais e melhor novo diretor fantástico de Santiago, no Chile. O filme também recebeu o Prêmio Audiência do Rojo Sangre, na Argentina, e fez parte da seleção oficial do Sci Fi London.
Fonte: UOL Cinema, por: EDILSON SAÇASHIMA