Depois de Ali G e Borat, cada um com a sua modesta reacção junto da crítica, Sacha Baron Cohen traz agora ao cinema o homossexual do momento: Bruno. A grande questão que se colocava, mas já em menor escala dado o que já conhecíamos dos dois anteriores filmes das suas personagens, seria perceber até que ponto Bruno podia conseguir chegar até aos espectadores da mesma forma que começou a ganhar algum impacto desde o seu primeiro aparecimento na televisão, onde corria o ano de 1998. No entanto, essa foi uma pergunta que começou a ser respondida logo nos primeiros minutos deste filme. Ou seja, Bruno tem material suficiente para chocar as pessoas, e desde o primeiro momento em que começa a interpretar a personagem, Sacha Baron Cohen não tem medo das possíveis reacções que poderá ouvir por todos os cantos do mundo. E, nesse aspecto, é caso para usar a seguinte frase: este homem realmente tem “tomates”.
“Bruno é um jornalista gay que trabalha no mundo da moda e é despedido de um programa sobre o tema na televisão do seu país, a Áustria, depois de o ter arruinado com o seu fato coberto a velcro. Decidido a mudar a sua vida, segue em direcção aos Estados Unidos para concretizar o “sonho americano” e tornar-se no “mais famoso austríaco desde Hitler”. Com a premissa lançada, ao longo de cerca 80 minutos somos colocados para um conjunto de situações, perfeitamente adequados a sketches televisivos só que mais longos, onde Sacha Baron Cohen é a estrela maior num filme em que o conteúdo acaba por ser o mais chocante.
Como já disse, este pode até ser considerado um filme com vários sketches à boa maneira televisiva, e dizer isto tem mesmo o seu ponto de veracidade, uma vez que a estética do “pequeno” ecrã está bem presente. No entanto, não convém esquecer que esta é a marca de Sacha Baron Cohen. De certeza que com este Bruno, ele não quer intensificar a sua veia artística como criador de estéticas em cinema. Tanto ele como o realizador Larry Charles, que colaboram novamente como aconteceu em Borat, acabam por definir ao filme uma variedade de culturas e uma espécie de auto crítica às diferentes sociedades que olham para o mundo como se de um preconceito se tratasse. Bruno pretende desmistificar esse factor, através de um conjunto de situações que podem chegar a ser tão violentas, que acabam por marcar o espectador e desta forma põe-no a pensar do que se está a passar em frente dos seus olhos.
Esta é a marca de Bruno: não existe marcas nem barreiras que não possam ser ultrapassadas. Ele não não tem medo de se mostrar e de seguir pelos seus objectivos de vida, ele não tem medo de passar para o ecrã todas essas situações por onde passa. Afinal de contas, esse é o seu trabalho.
Larry Charles, o realizador, nunca foi uma pessoa de inventar muito. Em Borat fez o que era preciso para transmitir o “documentário” que essa personagem queria transmitir, nomeadamente para os Estados Unidos da América, e neste Bruno ele atinge o mesmo resultado. É certo que não é um grande realizador, mas o que é que isso interessa em materiais como este? Dizer que Borat ou Bruno foram feitos para satisfazer algumas necessidades artísticas cinematográficas é totalmente falso. Isto porque foram filmes como estes que trouxeram ao público algo que eles nunca pensariam vir ser mostrado em cinema e, acima de tudo, este é um material de entretenimento que funciona como comédia vital para quem vai ao cinema para uma boa dose de risos. É certo que este tipo de humor pode ser encarado de diferentes maneiras pelos vários gostos e feitios dos espectadores, mas chamar a este filme de inconsequente é algo que não se deve fazer.
Apesar da curta duração deste filme, talvez se pudessem cortar mais algumas cenas que certamente foram escusadas, e apesar de em alguns momentos não apresentar uma narrativa tão criativa, Bruno consegue surpreender em cenas onde até o silêncio ganha uma importância clara na transmissão da mensagem (como aconteceu na cena nocturna onde Bruno se encontra à beira dos três caçadores). Diria só que o maior pecado deste filme é tentar ser demasiadamente chocante, o que fará com que este não seja visto nem aceite por muitas pessoas.
fonte: http://www.ante-cinema.com/2009/07/critica-«bruno»/
Da Central:
Por aqui, o filme ainda não tem data marcada para estrear.
San Picciarelli