Pulso Fraco.

gals

Qual é a melhor maneira de definir o amor? Muitos já tentaram. Poucos, muito poucos tiveram êxito.

Como toda e qualquer coisa que existe, se é real, então pulsa. O amor para existir, também precisa pulsar. Um pulso é um estado de expansão seguido de uma contração. Pulsação são vários pulsos, sucessivamente. A vida está, de fato, em um único pulso e repete-se para poder ser, ao fechamento de cada ciclo.

Expande, contrai. Pulsação. Verbo. Vida. Há. Se cessar, então não mais há. Não pulsa, não vive. Não é. Amor não é uma mistura de outras coisas. Cada coisa é o que é. O amor é outra coisa…

Se tomarmos o amor como algo que se amplifica, contagia, abraça.. cresce, é muito mais próvavel que o amor seja uma expansão do que o contrário. Sendo assim, como algo que nasce do indefinível, externiza a si próprio no movimento de sua própria natureza e define-se por esse mesmo movimento, o amor só pode atingir o ápice de sua definição quando atinge o ponto que o obriga ao caminho de volta: o caminho da contração.

Se expandir demais, explode. Se contrair demais, implode.

Pulsação é equilíbrio. Viver é equilíbrio. O bem e o mal são partes do mesmo pulso. Sem pulso, é morto.

Expande, contrai. Dia, noite. Vida, morte. Prazer, dor. Só é possível bem definir o positivo, se pudermos ao menos contemplar até onde vai nossa compreensão do negativo, em nós, no outro, e em tudo entre ambos.

E por falar em nós…

O que dizer de nossa capacidade definir a nós mesmos? Vivemos em um país onde as mínimas milimetragens do fio dental dentro do ônibus público não despertam a mesma ira imbeotizada dos 700 e tantos contra um vestido justo agarrado às coxas brasileiras de mais uma estrangeira entre os nacionais.

É nesse mesmo país que contemplamos a bigodada amarrada às suas gravatas pseudo sacro-sacras à caça de vaginas baratas e acolhedoras da baixa-augusta. No mesmo canto onde mais uma fêmea de ambições pueris é desonrada, enquanto o riso alheio cobre sua vergonha pelos corredores da academia de imortais mais baratos que um diploma comprado. Como homem, às vezes não entendo como chegamos a certos extremos…

Nas mesmas eiras em que, à beira de nossos próprios abismos, driblamos a lei com a arte bioenergética do nosso talento. Expulsamos para calar à cárie moral das bocas cínicamente abertas e voltamos atrás em tudo, como se nossa palavra fosse tão torpe quanto as caras de merda por detrás das retinas verdes de mofo, amarelas com a hepatite do cinismo e da contradição.

Dizia aquela boa ela (boa mesmo!)… sobre os “Votos de submissão”

Caso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado.

Costuro as suas meias para o longo inverno…

Use capa de chuva, não quero ter você molhado.

Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.

E verás como minha a minha pele de algodão macio, agora quente, será fresca quando janeiro.

Nos meses de outono eu varro a sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.

O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda – Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas – Depois olantarei para ti margaridas da primavera e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo total desejo de quimera.

Os meus desejos ireie ver nos teus olhos refletidos.

Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.

Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

(Nem vou deixar – mesmo querendo – nehuma fotografia.

Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia)

Quem disse?

O contorno letra-tatuado por todos os seus cantos, que saiu nú na Playboy ao mesmo tempo em que de frente para seus quatro filhos e mais de 9 livros publicados mandou o dedo do meio para o homem com H de hipocrisia… Quem escreveu esse voto poético leva o nome de Fernanda Young. (um beijo sincero para você)

Escadalosamente, como em uma contração abissal do olhar, todo mundo olhou. Mas o esdândalo mesmo é não sermos capazes de franquear sua linha corporal para além da fronteira do bunda enorme, nome de fruta e o demi-gozo de uma punheta arrítimica, ao som de uma clara mensagem rumo ao porra nenhuma. Não é permitido a uma fêmea escrever, pensar, provocar… queira com a caneta, a imagem ou a barra curta do vestido rosa apertado.

Sob tamanha escassez de algo legítimo, os bons não têm escolha senão tornarem-se traficantes de realidade. Se movimentar a sua ação na direção de apoiar a quem precise, certamente terá de pedir ‘autorização’ para o ‘dono do morre‘ para levar as migalhas do positivo, para dentro da enormidade de contrações comandadas pelo absurdo do negativo. Traficar o bem, para dentro do bem, através da fronteira do mal… é ridículo. É pior que isso. Como numa pulsação disformemente impossível, teórica e praticamente, não existe. Mas está lá.

Está lá tal qual o processo que começa a ser redigido no tribunal das indenizações pró-bunda. Falo da bunda da instituição e da nossa própria, e não da moça, o falso algoz de si mesma. Pobre menina Geisy, que já toda embriagada por litros e litros de celebritismo envelhecidos em tonéis merchandise mixo, sai TV afora de programa em programa para falar sobre o que todos nós já deveriamos estar cansados de saber:

O poder não é só meu, mas também não é só seu.

Ficou mais uma vez bastante claro o quanto amamos mulheres assim… Isso é, verdadeiramente, lamentável.

Se amar é atrair, odiar é repelir… Como é possível que se ‘leia” revistas de imagem com os olhos fechados no ostracismo? Como perdemos a piada? Como é possível que se grite ‘puta’ pelos corredores do questionamento com a boca costurada no cinismo? Como fazer piada quando somos nós na verdade a perder?

Como se define o amor?

Amor é ausência de ódio (e vice-versa). Ponto.

Até nos permitirmos ousar para além dos limites de nossos próprios opostos, tão parca será nossa capacidade de definir quem somos, tão amiúde se manterá nossa habilidade de recriarmos a nós mesmos. E que fique bem claro: recriar não é copiar. Pelo menos, não deve ser… Mas de que vale isso no país do pirata, da pizza, da dissimulação, e da inatividade sobre todas as outras coisas fabulosas que temos, mas que sempre vem depois?

Crescidos ou encolhidos, bem feitos ou só bonitos, nus ou nem tão por isso, estamos mesmo é fodidos em nosso próprio non-sense… de verde e amarelo.

À puta que o pariu… pátria amada Brasil!

San Picciarelli

crônica/montagem photo

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