
Perto da rua que me serve de lar e inspiração, fui conferir nesse feriado a exposição De Fora Pra Dentro/De Dentro Pra Fora que está rolando logo ali no MASP. A proposta é trazer de fora, das ruas da cidade para dentro do museu o trabalho de seis grafiteiros que já embelezam os arredores e propor a reflexão de que a cidade pode ser de fato um museu a céu aberto, onde as obras ficam espalhadas por aí convidando ao devaneio.
Titi Freak, Daniel Melim, Stephan Doitschinoff, Zezão, Carlos Dias e Ramon Martins já mostraram seus trabalhos em diversas partes do mundo, mas pra nossa sorte e alegria podemos encontrar muitos deles nas ruas – perto de casa tem um do Zezão, quase esquina da Peixoto Gomide com a Augusta – dando a cidade formas abstratas, coloridas, lúdicas e uma olhar que muitas vezes nos passaria despercebidos. As plataformas exploradas pelos artistas variam desde os tradicionais muros e galerias subterrâneas, até estudos de obras em lápis e papel, fotos, instalações e vídeos.
Os curadores da exposição Mariana Martins, Eduardo Saretta e Baixo Ribeiro que também comandam a incrível Choque Cultural, esperam cutucar os cerebelos alheios e propor uma nova forma de olhar para a cidade, instigando cada um dos habitantes e encontrar a sua visão, interpretação e amor pelos belos muros que nos cercam.
O trabalho dos seis grafiteiros é caótico, mas ao mesmo tempo harmonioso, preenchendo com um caos elegante os 1.500 metros quadrados do espaço subterrâneo do MASP. Eu poderia colocar por aqui uma análise artístico-gráfica-plástica-sensorial-e-afins, com observações que fariam todo o sentido dentro minha cabeça que não é lá um ambiente muito propício a análises. Mas não vou fazer isso. Vou instigar você que está na frente da tela, lendo e pensando a ir ver como tinta, suor e um cociente mutável podem influenciar seu dia pra melhor e sugerir o novo. Levante-se, abra porta e saia de casa. Você precisa ver.