Anti-desculpas: Sexta, Bike, Pense.

Antes de qualquer coisa, o convite (dessa vez, por escrito):

Sexta-feira agora, Dezembro/11, saindo às 20hs da Praça do Ciclista (última quadra da Paulista, colado à Rua da Consolação, para os mais desavisados)… está um grande grupo de ‘outros’ que procura apenas duas coisas:

1) tomar a cidade do jeito ‘ideal’;
2) que você apareça.

Pode chegar. Deixa de ser besta e vem… Se vier a pé, traga a cabeça aberta. O ideal é vir de duas rodas, para rodar com todos. Sem pensar.

Tira aquela tranqueira da tua garagem hoje, deixa a cara de arse na gaveta do escritório e muna-se das mais úteis armas daquele que já não aguenta respirar uma São Paulo “toda suja”: uma latinha de lubrificante, um alicate e uma flanelinha. Isso mesmo… Afrouxe a gravata, troque a meia social e o salto por uns minutos tirando a poeira da sua magrela. Ah, você a jogou fora? Doou? Você é mesmo uma besta… Mas ainda deve ter amigos para pedir uma emprestada. Não? Sério? Não fode…

Bom, já estou meio na dúvida se você deve vir então… (risos puta cínicos). De qualquer forma, se discordar, se vira e aluga uma bicicleta, faça o que tiver que fazer – sem roubar, claro. Para quê? Para sentar a sua bunda acomodada em algo que você realmente pode influenciar e conduzir, na companhia de outros que sem qualquer terceira ou quarta intenção, estarão a fazer o mesmo.

Para você que não tem o hábito, duvido que você saiba realmente como funciona a sua cidade quando é você que está em movimento, junto com ela, não de dentro de uma caixa de lata por debaixo da terra ou por cima do cinismo de todos. Duvido…

Quem sabe não surpreenda você o facto de que você pode não precisar tanto assim das outras muletas e pode ‘possuir’ o seu próprio trajeto? Já imaginou o quê e quem você pode encontrar nesse meio trecho?

Qual é o prêmio? Ah, isso é que não se diz mesmo. Pode ir tirando o seu 1.0 da enchente… Aliás, nem sou a pessoa ideal para tecer qualquer comentário pois faço practicamente tudo de bicicleta, além de a praticar como esporte. O que posso dizer é que cada um tem um, ao seu jeito, ao seu tempo.

E de uma maneira docemente irônica, é muito melhor quando estão todos juntos do que o contrário. Sim, pelo menos até você abrir caminho por entre os conceitos e perceber que existe uma outra razão, mais íntima, que independe do todo para você pedalar com as suas próprias pernas.

Mas como nesse momento você só precisa passar para esse lado antes de começar a tentar explicar tudo, dar a sua visão do mundo e o caralho a quatro… o acordo é o seguinte: você aparece e dá a primeira pedalada, todos ao seu lado fazem o resto. Aparentemente, o truque é simplesmente confiar no processo todo sem pensar ou elaborar demais.

Foda-se a sua roupa, desde que seja confortável para você e mais ninguém. Foda-se o que você terá na cabeça, desde que traga um capacete. Foda-se se você está com a boca sêca para meter o pau, desde que traga a sua garrafinha d’agua e um par de respirações para respirar, não para tagarelar.

Quem sabe o andar por aí mais rápido que a pé, porém mais lento que de carro, não ajude você a votar melhor, pensar mais claro, respirar mais justo, abraçar mais de leve.

Não há razão alguma para você ao menos não se dar uma chance de chegar. De quebra você pode curar aquele mau humor dos infernos, aquele treco… Pode se esconder atrás da falta de horário, do tal compromisso, de qualquer outra balela. O veneno é teu… o prazer é de quem… bom, você será bem-vindo com desculpas e tudo.

Sem prêmio, só recompensa.

Cheers, San.


2 Feedbacks

  1. Palmas 10. dez, 2009 em 21:48 #

    Caramba, juro que se eu já não fosse , depois de ler este texto eu iria. Parabéns!!!
    Abratz,
    Palmas

  2. San Picciarelli 10. dez, 2009 em 21:56 #

    Massa Palmas.
    Cheers, a gente se vê lá.
    San.

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