Pela janela da minha casa sempre escutei alguém tocando saxofone. Achava que era algum vizinho que depois de um dia não dos melhores agarrava o peculiar instrumento e assoprava pra dentro dele toda a sua raiva, angústia e saco-cheio, transformando toda aquela merda em uma melodia doce que enchia a rua com uma nuvem colorida de som. Mais tarde percebi que não era um vizinho, mas um som que vinha da rua e zanzava pela região pra cima e para baixo, provocando quem passasse com aquela brincadeira.
A conclusão nesse caso era óbvia: alguém tocando em troca de alguns trocados, coisa normal da região.
Passado algum tempo, estou eu tomando minha cerveja pacificamente na esquina quando começo a escutar de novo a tal melodia. Comecei a procurar então o dono do sonoro brinquedo dourado que divertia a todos com o seu inconsciente musical. Encontrei o tal sujeito, mas fiquei impressionado com o que ele tocava. Não se tratava de um saxofone dos mais belos e dourados a lá John Coltrane, mas sim um sax de plástico com válvulas de espuma.
O nome por trás da melodia e do instrumento era Gibran Santos, 30 anos, que anima as ruas da baixa Augusta em dias aleatórios, conta a sua história, faz piadas, dá risada e vive a vida, coisa que os freqüentadores da região estão mais do que acostumados a fazer. Entre uma nota e outra arrecada fundos de quem quiser contribuir com a construção de mais instrumentos.
Deixemos de papo e vamos saber do criador da criatura. Como é essa história Gibran?
Como você começou a tocar saxofone? Encontrou alguma dificuldade?
Comecei a tocar com um saxofone feito de bambú que veio do Chile. Em 2002 sofri um acidente de moto onde fiquei impossibilitado de fazer muitas coisas. Assim me dediquei com afinco na musica, pois já tocava gaita desde pequeno e tinha noção das notas. Um dia meu sax de bambo quebrou e como queria continuar tocando comprei alguns canos de pvc e comecei a construir um sax de pvc e durepox. Sempre encontrei dificuldades, pois desde os 15 anos eu moro sozinho e pago minhas contas. Já faz seis anos que trabalho no instrumento, mas só agora estou conseguindo lançá-lo no mercado com o nome de Gibran_SaxArte.arte&company.
O que você espera no futuro do seu projeto?
Espero que todas as pessoas que desejem tocar um instrumento tenham condições de comprar-lo por um preço mais acessível. Hoje um saxofone de metal não custa menos do que três mil reais. Mesmo ele sendo um instrumento que levo três semanas para confeccionar com todo o cuidado e afinação, ele custa 200 reais, o que é ainda muito barato. O objetivo é produzir em grande escala por um preço ainda mais baixo para que todos possam ter acesso. No momento eu procuro uma empresa de moldes que me proporcione o apoio necessário para a execução do meu trabalho.
Gostaria de agradecer a alguém nesses anos de trabalho?
Gostaria de agradecer algumas pessoas que sempre me apoiaram nesse projeto. A equipe da “skate até morrer”, Cristian, Bruno e Jorge , Lucas, Juliana, Gigeo, Leo grau e Orates, pelo apoio e por acreditar no que faço.

Muito Bom!!! parabens
Esse é da lavra de Gus Rigueiral.
Abraço Central
Parabéns pela entrevista e pelo trabalho do autor. MAIS ALEGRIA NO NOSSO DIA.