Arquivo: Achadas & Perdidas

Gibran dá um som doce à Baixa

// dezembro 10th, 2009 // 3 Feedbacks » // Achadas & Perdidas, Arte, Artesanato, Entrevistas, Música

O criador e a Criatura

Pela janela da minha casa sempre escutei alguém tocando saxofone. Achava que era algum vizinho que depois de um dia não dos melhores agarrava o peculiar instrumento e assoprava pra dentro dele toda a sua raiva, angústia e saco-cheio, transformando toda aquela merda em uma melodia doce que enchia a rua com uma nuvem colorida de som. Mais tarde percebi que não era um vizinho, mas um som que vinha da rua e zanzava pela região pra cima e para baixo, provocando quem passasse com aquela brincadeira.

A conclusão nesse caso era óbvia: alguém tocando em troca de alguns trocados, coisa normal da região.

Passado algum tempo, estou eu tomando minha cerveja pacificamente na esquina quando começo a escutar de novo a tal melodia. Comecei a procurar então o dono do sonoro brinquedo dourado que divertia a todos com o seu inconsciente musical. Encontrei o tal sujeito,

[ [ [ LEIA TODO O TEXTO ] ] ]

Desça a Maria

// junho 23rd, 2009 // Feedback? » // Achadas & Perdidas, Colunistas, Crônicas, Histórias, Para Ler!, San Picciarelli

pinupgala2
Paulista,
Cruzamento e luz caem
Caos uníssono
Romântico e surdo
De mãos dadas com a noite
Descida
Letreiros e cafés
Chapéus e bonés
Música muda
Mudança
Curva e mais andança
Impessoal, distúrbio
Sensação, fagulhas de luz
Retinas concêntricas
Como a tela do cinema
E às portas do teatro
Atriz, cultura e seios
Muita bunda
Lindas, horríveis
Um abraço inimaginável
Escadas deploráveis
Não-laváveis
Impossível
Escancarando probabilidades
Duas mãos na rua
Tudo a quatro mãos
Tatuagem
Frio na espinha pelos cantos
Eiras e beiras aos precipícios
Indício
Início
Praça Roosevelt

San Picciarelli

Viva la Augusta! & Viva a Ferrugem!

// junho 18th, 2009 // Feedback? » // Achadas & Perdidas, Programação, San Picciarelli

Z Carniceria recebe a terceira edição do encontro Viva La Augusta!

saopaulocarniceria2.jpg

Neste domingo, 21 de junho, é realizado o 3º encontro de carros antigos, clássicos, hot rods, low riders, lambretas, choppers, custom bikes e low bikes da Rua Augusta. Promovido por Facundo Guerra e José Tibiriçá, proprietários dos bares VOLT e Z Carniceria, além do Vegas Club, o evento ainda conta com trilha sonora 50’s, 60’s, rocksteady, ska e hip hop old school.

O encontro é gratuito e recebe público variado, entre colecionadores, bikers, músicos, jovens freqüentadores da noite paulistana e até famílias inteiras. Por lá, é possível ver Camaros, Buicks, Harley Davidsons, e outras raridades, sempre apoiados por clubes importantes do universo da “ferrugem”. Será um encontro para celebrar a saudosa Augusta dos 1960.


Serviço

Quando: domingo, 21 de junho, das 14h30 às 20h30
Onde: Rua Augusta: 935 – em frente ao Z Carniceria – no estacionamento do supermercado “O Dia”.
Quanto: na faixa, é só chegar.
Quer mais? Liga no 2936-0934 ou vivalaaugusta@hotmail.com

Grafiteira de 10 anos em São Paulo

// maio 16th, 2009 // Feedback? » // Achadas & Perdidas, Arte, San Picciarelli

 

Zelia (mãe) e Bianca Trevizan (filha), de 10 anos

As notas mais baixas de Bianca Trevizan da Silva, de 10 anos, que cursa a quinta série do ginásio, são na disciplina de Educação Artística. Apesar de não gostar de fazer as lições da escola, a menina chama atenção com as pinturas coloridas que faz com spray nas ruas de São Paulo.

Filha da grafiteira Zeila Trevisan, Bia começou a desenhar aos seis anos com apoio e incentivo da mãe. Hoje, ela integra o grupo de artistas de rua formado por mulheres chamado Noturnas e seus desenhos de meninas podem ser vistos em muros como os da Avenida Rebouças e nos bairros do Imirim e Pompeia.

Quando sai para pintar com a mãe, atividade que realiza pelo menos uma vez por mês, Bia faz rascunhos de seus desenhos em papel e usa bancos e escadas na hora de finalizar seus trabalhos nos muros. Muitas vezes apagados pelos donos dos imóveis ou pela Prefeitura alguns dias depois de serem feitos, os grafites demorar até três horas ficarem prontos.

Mesmo com o preconceito que ainda existe em relação ao grafite, a mãe diz que a arte sempre deve ser incentivada. “Toda criança gosta de desenhar, mas os pais não incentivam e elas vão perdendo o interesse”, conta Zeila. 

Além da mãe, Bia admira as grafiteiras Suzue e Tikka. Em quatro anos de pinturas nas ruas ela ganhou elogios dos amigos da escola e conta que já desenvolveu técnicas próprias para desenhar. “Agora estou treinando para desenhar letras”, afirma. “Hoje todas as minhas amigas querem sair para pintar comigo.” 

Apesar do envolvimento com a arte de rua, Bia nem se lembra da história da menina britânica de 11 anos que grande repercussão na internet por causa de seus grafites. Solveig começou a pintar muros perto de sua casa aos 8 anos e passou a ser convidada por grafiteiros para participar de pinturas em Londres e chegou até a tatuar um personagem na perna de um fã.

Para a mãe e grafiteira Zeila, o excesso de exposição de crianças que fazem arte é perigoso. “Se os artistas adultos já se perdem quando começam a ficam famosos demais, imagina uma criança”, diz. “Eu sempre converso com a Bia sobre isso. O importante é manter o foco no trabalho.” Mesmo com a atenção que tem despertado nas ruas, Bia leva a arte apenas como diversão e não pretende seguir carreira na pintura. Nova moradora de uma rua com diversos grafites no bairro do Alto da Lapa, em São Paulo, ela se preocupa apenas em desenhar, dançar e ouvir música. “Quero ser cantora”, afirma e sai cantando e dançando no quintal com as amigas.

 

Para saber mais:

www.fotolog.com.br/bia_noturnas

www.flickr.com/photos/z_zeila

 

Vídeo Bia:

 

Fonte: POR REGIANE TEIXEIRA, Editora Globo S/A

Augusta Ilustrada

// abril 20th, 2009 // 3 Feedbacks » // Achadas & Perdidas, San Picciarelli

 

Acabei esbarrando em mais uma personalidade curiosa da região. Eric tem 38 anos e é ilustrador, músico e morador da baixa-augusta.

Eric, que tem um espaço no MySpace para poemas e também é blogueiro de assuntos ’shamânicos e de energias’, encontrou inspiração em sua própria vizinhança para focar uma parte bem bacana do seu trabalho.

Ele procura registrar o cotidiano da Augusta através ilustrações interessantes sobre os seus personagens. 

 

ENTREVISTA:

Central, San Picciarelli: Há quanto tempo você mora na Augusta Eric? 

Eric Gomes: Cinco anos

C: Como você classificaria esse teu trabalho de ilustração?

EG: A idéia é perpetuar em desenho, cenas deste dia a dia tão cosmopolita

C: Como você enxerga o que acontece por aqui…? Qual é o teu olhar?

EG: Eu adoro tudo o que acontece por aqui. Vim para cá porque gosto da diversidade, da bagunça, do barulho dos carros, da efervescência, do ninguém dorme, da cidade que nunca pára…

C: Quais são os problemas locais?

EG: Não vejo muitos problemas. O maior são os bares que não têm isolamento acústico, mas isto vem sendo resolvido. De resto, trânsito, nível de violência, etc., acho que até que são baixos perto de outros lugares da cidade. Sou baladeiro e gosto da agitação noturna desta região desde o tempo do Cais e da Der Temple, do Cine Elétrico, etc. 

C: E o que é mais bacana por aqui?

EG: Mais bacana é a proximidade com os melhores cinemas da cidade e o fato de podermos ir de bicicleta para o centro e para a paulista, bem rápido.

C: O que é arte na Augusta?

EG: A diversidade de públicos e músicos que se apresentam, os graffittis, os mini lambe-lambes. Este bairro é a maior galeria de arte a céu aberto da cidade.

C: Estar aqui é…?

EG: Ser livre para vestir, pensar e se expressar. Aqui as pessoas são julgadas sobre um outro ponto de vista e não por um cabelo, uma tattoo ou qualquer tipo de alteração corporal. Além do ambiente mais fashion, fora do mundo fashion… 

 

Abaixo, segue uma seleção de quatro de seus trabalhos…

 

O Eric publica uma ilustração a cada quinze dias no seu blog recentemente criado:

Cenas da Rua Augusta: (http://baixoaugusta.blogspot.com/)

 

San Picciarelli