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“RUA AUGUSTA”

// março 13th, 2009 // Feedback? » // Colunistas, Crítica Literária, San Picciarelli

Acabei esbarrando neste livro recentemente e o momento não poderia ser mais oportuno que agora para mencioná-lo aqui na Central. Trata-se de uma obra com ótimo ritmo, um acento mais histórico do que poético, mas é certo que um certo lirismo despretensioso não deve escapar dos mais atentos. Após ler este livro, bastante ligeiro e acessível, tive a compreensão de que se você gosta da Augusta, ainda tem por definir “de qual” Augusta você gosta. Eu moro no bairro a anos, e gostava daquilo que via, que vivia, que sentia, que usava.

Misteriosa e mutante, a Augusta se tranveste em algo diferente a cada dia que você passa por ela. Isso vai convertendo aos poucos a memória em deslumbramento e apesar dela sempre deixar marcas, de tanto mutar, vai apagando importantes registros.

O “Rua Augusta” pode oferecer a você uma visão diferente sobre a rua que todos freqüentamos e gostamos. Pode conduzir a sua curiosidade à diversas questões sobre como ela saiu de onde saiu, e sobre como veio para onde veio. Quanto a gostar ou compreender com maior profundidade os elementos que constituem esta metamorfose, isso não parece ser colocado em questão por Ragazzo. É um texto que “aponta” onde e quando, envolvendo o olhar do agora num convite ao olhar de antes, e quase que totalmente devoto à sua significação e presença. Até pela semelhança etno-fonética com seu próprio nome, eu diria que o olhar do autor não deixa de ser o de um “menino” com bom conhecimento de causa… Dá até uma certa dorzinha de ter apenas 34 anos e não ter estado presente em certos momentos dos 50, 60…

E para quem não sabe (eu também não sabia) essa importante personagem da cidade já foi conhecida como “Rua Maria Augusta” – pronto, tá explicado… – e a dona Maria tem os seus primeiros registros espalhados por meados de 1875, onde se cicatrizaria como o reduto mais underground do país e atravessaria os anos 50, 60 e 70 influenciando tudo e todos, dentro e fora do país, nascida cheia de luz a partir de uma costela do antigo Clube Paulistano.

Recomendo a companhia da Dona Maria Augusta, que mesmo cortada pelo cartão postal en-novecido da cidade (a Avenida Paulista), ainda corta a mão dos mais desavisados e encanta até os mais descolados com todas as suas 18 travessas de rugas e seus 3008 metros de veia e verve.

Livro: Rua Augusta - Autor: Ragazzo, Cleber

ISBN: 8589535762
Edição: 1ª
Ano: 2005
Páginas: 180

San PicciarelliEditor da Central