Arquivo: Entrevistas

Gibran dá um som doce à Baixa

// dezembro 10th, 2009 // 3 Feedbacks » // Achadas & Perdidas, Arte, Artesanato, Entrevistas, Música

O criador e a Criatura

Pela janela da minha casa sempre escutei alguém tocando saxofone. Achava que era algum vizinho que depois de um dia não dos melhores agarrava o peculiar instrumento e assoprava pra dentro dele toda a sua raiva, angústia e saco-cheio, transformando toda aquela merda em uma melodia doce que enchia a rua com uma nuvem colorida de som. Mais tarde percebi que não era um vizinho, mas um som que vinha da rua e zanzava pela região pra cima e para baixo, provocando quem passasse com aquela brincadeira.

A conclusão nesse caso era óbvia: alguém tocando em troca de alguns trocados, coisa normal da região.

Passado algum tempo, estou eu tomando minha cerveja pacificamente na esquina quando começo a escutar de novo a tal melodia. Comecei a procurar então o dono do sonoro brinquedo dourado que divertia a todos com o seu inconsciente musical. Encontrei o tal sujeito,

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Lambe-Lambe e 2D Art

// outubro 24th, 2009 // Feedback? » // Arte, Colunistas, Entrevistas

PA210032-sNessa terça fui conferir uma exposição de street art que começou a rolar no jardim do clube Vegas. Pra você que pergunta “que jardim?”, é aquela área mais conhecida com “el silencio”, aonde existem diversos sofás e poltronas pra você dar uma pausa entre um drink e outro e conversar com seus amigos sem ter que ficar gritando que nem louco na pista.

Lá está a exposição do coletivo 2D Crew, formado pelos artistas plásticos Ronaldo Cazuza e Fabiano Coelho, com organização de Susan Togashi. As obras que podem ser vistas em paredes pela cidade, dessa vez aparecem nas paredes do clube, mostrando uma astreet art onde elementos da cultura musical e abstrações das mais variadas formam as obras.

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Central Entrevista: SAMORCC

// setembro 4th, 2009 // Feedback? » // Entrevistas, San Picciarelli

Para muitos, a baixa-Augusta é um lugar por onde passam milhares de pessoas todos os dias para trabalhar, mais outros milhares todas as tardes e noites para se divertir. Bem mais além disso, existem outras pessoas que dependem ainda mais do seu bom funcionamento e manutenção: seus moradores. Envolvendo todas as camadas e tipos para todos os gostos, o memso perfil cotidiano do trecho também serve para desvendar o tipo de pessoas que mora por aqui.

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Parque da Augusta – A Central Entrevista

// julho 28th, 2009 // Feedback? » // Arte, Colunistas, Entrevistas, Persona, San Picciarelli

A maioria das pessoas se relaciona imediatamente com “vida noturna” quando ouve a palavra Augusta. Diferentemente das pessoas que só passam por aqui a trabalho ou diversão, fazemos um grande esforço para que a identidade da região não desapareça. Aliás, tive a grata oportunidade de entrevistar uma super “Persona Augustina” que muito tem feito para que a única área verde da baixa-Augusta não seja tomada de seus moradores e visitantes.

"The Green Augusto" by San Picciarelli

"The Green Augusto" by San Picciarelli

Sim, estou falando mesmo do Parque da Augusta. Uma peça fundamental no processo de revitalização do centro da cidade – em especial, a região da baixa-Augusta. A luta é constante. Ah… Você nunca ouviu falar do parque? Então preste atenção na letra de Sérgio Carrera. Além de fundador de um movimento em defesa do Parque Augusta, Sérgio é um estabelecido residente e também a mola propulsora de diversas ações por aqui.

Só para encaminhar corretamente a entrevista, o Comitê Aliados do Parque Augusta se formou pela união de pessoas (uma maioria de síndicos da região) que frequentam o parque e que têm a mesma visão em relação à preservação ambiental. Tudo começou com uma feroz defesa desta última área verde na região central de São Paulo, uma verdadeira jóia em meio ao grande caos urbano que orbita ao seu redor. Com sucesso, a construção de um hipermercado, um museu da música e 4 torres de edifícios foram embargados entre 4 e 5 anos de luta, algo que soterraria todas aquelas árvores e plantas. Foram várias audiências públicas, atos públicos, abraços ao parque, abaixo assinado etc.

A entrevista, por sua natureza de memória, é um pouquinho mais longa – mas vale a pena…

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A CENTRAL ENTREVISTA SÉRGIO CARRERA

por San Picciarelli

  • San Picciarelli (Central da Augusta): De onde surgiu a idéia (ou vocação) para que você fundasse o “Aliados do Parque” Sérgio?

Sergio Carrera (Amigos do Parque Augusta) - Somos frequentadores do Parque há alguns anos e de repente, fomos impedidos de entrar, sem explicações. Começamos então a vasculhar o histórico do parque, pois já circulavam informações de que ali seria uma área em processo de tombamento. Logo em seguida surgiu nos jornais a notícia de que no terreno do parque seria construído um hipermercado. Foi então que formamos os Aliados do Parque Augusta e o Movimento SOS Parque Augusta com o objetivo de protegê-lo da destruição.

  • Central: Fale um pouco sobre as batalhas que tem enfrentado ao longo do tempo.

Sérgio: A primeira ação que fizemos foi um abraço ao parque e tinha o propósito de chamar a atenção da opinião pública e da imprensa para o absurdo que estaria prestes a acontecer: a destruição de 24 mil m2 de área verde, com árvores centenárias e uma diversidade de pássaros… a última área verde do Centro. Buscamos o apoio de escolas da Região, principalmente do Caetano de Campos, associações de moradores da região e começamos a nossa jornada. Marcamos presença em diversas audiências públicas levando alunos com cartazes de protesto; realizamos vários atos públicos para sensibilar as autoridades responsáveis, caminhadas até a câmara dos Deputados e passeatas até a Prefeitura. Repetimos alguns abraços ao parque em ocasiões comemorativas ao meio ambiente e criamos um abaixo assinado que hoje contém mais de 8.000 assinaturas de apoio ao Movimento.

  • Central: Existem outras pessoas ou organizações envolvidas na causa?

Sérgio: Existem sim. Como disse, algumas associações de moradores nos apoiam, como a SAMORCC, as Escolas Caetano de Campos e Ana Cintra. Porém, temos uma preocupação muito grande de manter o movimento apartidário. Esta é uma ação de cidadania, de pessoas lutando pelos seus direitos constitucionais e temos direito ao bem estar e ao meio ambiente… E isso que é muito bacana, precisamos resgatar e valorizar o poder de conquista do cidadão.

  • Central: A área do parque (entre a Caio Prado e a Marquês de Paranaguá) foi tombada em 2004 e a desapropriação algo próximo de R$ 30 milhões, certo? Você pode nos resumir como ocorreu o processo de tombamento?

Sérgio: Então, esta área pertencia ao Colégio de Freiras De Oiseaux até 1967, que doou o terreno para a Prefeitura sob diversas condições: manter a servidão de passagem; não mexer nas árvores, mesmo que caídas; a construção apenas de um hotel de 10 andares, no máximo. Todas estas exigências sumiram das escrituras ao longo do tempo por interesses escusos.Com todos estes movimentos que fizemos e com o levantamento de toda esta documentação referente ao Parque. Criamos um dossiê e o entregamos numa destas reinvindicações à Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, cobrando medidas enérgicas contra a destruição do Parque e pela agilização do processo de tombamento. Conseguimos também o apoio de alguns deputados e senadores que criaram o Projeto de Lei 345/06 que prevê a criação do Parque Augusta. Já foram realizadas diversas audiências na Câmara dos Deputados para votação deste projeto nas quais estivemos presentes. A última foi para aprovação pela Comissão de Finanças da Câmara e obtivemos um parecer favorável ao projeto. A votação final do Projeto está prestes a acontecer e já estamos nos mobilizando para estarmos lá. Este valor de R$ 30 milhões é um valor suposto pelo proprietário do terreno, mas estes cálculos reais deverão ser feitos pela própria Prefeitura e existem outras formas de adquirir o terreno; como trocando por outro de igual potencial construtivo, em outra região.

  • Central: Certo. O que você considera emergente e o que considera decadente por aqui?

Sérgio: Infelizmente, pela especulação imobiliária e pelo desinteresse político dos governantes a região central tem mais decadência que coisa emergente. As calçadas esburacadas, construções de prédios em áreas como a Frei Caneca, onde resido, sem planejamentos e estratégias para impedir o transtorno do trânsito que já é caótico. Falta de policiamento para garantir a segurança dos traseuntes é um outro problema. São diversos assaltos à luz do dia nas redondezas sem nenhuma providência das autoridades policiais. Cada vez mais a região está ficando des-arborizada pela própria Prefeitura que poda as árvores com a desculpa de que estão cheias de ‘cupins’. O que vejo de positivo na região é a revitalização da Rua Augusta em si. Estão surgindo uns bares e restaurantes bacanas, alguns supermercados, um público diferente vai se misturando com o ambiente underground da Augusta. Eu gosto disso e isso é bom para a região. O centro tem que ter alegria.

  • Central: Sem dúvida. E quais são as previsões e elementos reais sobre uma entrega do Parque Augusta?

Sérgio: É uma incógnita. Por isso, estamos sempre atentos e antenados para entramos em ação na defesa do Parque. Alguns fatos nos deixam otimistas como o próprio tombamento, o encaminhamento favorável do Projeto de Lei 345/06, na Câmara e há algumas semanas temos nos deparado com pessoas fazendo medições no parque que afirmam ser da Prefeitura e que já é certo ali a criação de um Parque. O que nos deixa muito felizes, porém, sempre com um pé atrás. Acho também que a entrega do Parque seria uma primeira batalha, pois a idéia é criar lá um parque diferenciado; o espaço de integração do homem com a natureza. Algo que fosse uma referência de preservação ambiental nos grandes centros e um espaço onde o homem possa conviver, se integrar e estar em contato permanente com a natureza. Espaços para convivência e lazer dos idosos, playground ecológico, trilhas para meditação, áreas para atividades físicas ao ar livre, cursos de reaproveitamento de alimentos e um Centro de Informações de Preservação Ambiental, com informações sobre os locais onde se pode adquirir objetos, móveis e vestuários feitos de material reciclado. Também uma relação de ONGs que trabalham com a preservação do meio ambiente; informações sobre oficinas e cursos de re-aproveitamento do lixo; informações sobre locais onde podemos descartar pilhas e baterias etc.

  • Central: Tanto que podemos sugerir e fazer, não? Agora, seguinte, desce a lenha… O espaço agora é para manifestação política: qual é o seu recado para as autoridades, organismos e seus representantes?

Sérgio: Que esta é a hora. Não podemos andar na contramão com relação às ações de preservação ambiental. Está aíestampado diariamente nos meios de comunicação todos os transtornos climáticos, a escassez de alimentos e a previsão de falta de água potável em muito pouco tempo. Cobro das autoridades responsabilidade e consciência. O Planeta Terra está agonizando e pedindo socorro. Se não o ajudarmos agora, nós mesmos sofreremos as consequências. Aos organismos e seus representantes solicito que se disponham a ajudar, se mobilizando de alguma maneira nestas pequenas, mas valiosas ações. Como a nossa: o MOVIMENTO SOS PARQUE AUGUSTA. São muitas destas pequenas ações que salvarão o Homem da extinção.

Sérgio Carrera, muito obrigado.
Somos, pelo Parque!

Sérgio Carrera, além de meu vizinho de rua, é o atual síndico do Edifício Netuno na Frei Caneca. Formou-se em medicina pela UFRJ mas abandonou o sacro ofício pela sagrada arte: o teatro. Atualmente, dirige a sua própria companhia teatral (a Pompacomica) e tem diversos projetos em andamento. Um deles, destaca-se pela sua natureza social: o Projeto “Arte Saúde & Cidadania na sua Cidade”, patrocinado pela empresa Prensas Jundiaí. O objetivo principal do projeto é levar os espetáculos da cia que falam sobre drogas, prevenção às DSTs/AIDS, segurança no trânsito, terceira idade e preservação ambiental e outros temas aos setores mais carentes da sociedade. Também, através do Projetovoraz, já de cunho mais artístico e experimental, coloca em cartaz na cidade o espetáculo “Sete Palmos”, no Espaço do Satyros 1 e “Estão Voltando as Flores”, no Teatro Sérgio Cardoso – com estréia marcada para 07/08. Não perca! A Central recomenda…

San Picciarelli

Entrevista: O Pedaço do Pedaço

// maio 4th, 2009 // Feedback? » // Comer & Beber, Entrevistas, San Picciarelli

 

O Pedaço da Pizza | hdr foto: sanpicciarelli © photo

O Pedaço da Pizza | hdr foto: sanpicciarelli © photo

Você chegou do trabalho. Correu feito um bom paulista e se calhar nem conseguiu comer alguma coisa boa durante o dia, que provavelmente já se foi. A noitinha (ou então na calada da madrugada), seu estômago ronca junto com a sua fissura por uma coisa que sempre queremos comer em horas assim: pizza.

Normalmente comemos pizza com mais alguém… ou isso ou então mastigamos dois ou três pedaços daquele último pedido e jogamos fora todo o resto. Além do mais, só podemos pedir no máximo “meia disso” e “meia daquilo”, sem contar o preço… Afinal, ninguém vai pedir uma pizza para comer com pessoas que não gosta só para economizar!

Querer matar a fome é algo que pode acontecer em qualquer lugar ou hora, por qualquer razão. Não seria muito ‘massa’ se desse para resolver o problema bem do jeito que a gente quer? Então, provavelmente você não baixou por aqui na Augusta e parou no Pedaço da Pizza…

Essa semana eu conversei com Danilo, massa fina e proprietário da rede, que me contou umas coisas bacanas sobre como os pedaços foram se juntando até o que a gente conhece hoje.

Há mais de dez anos atrás, havia uma empresa que fabricava as massas para as marcas Frescarini e Danone que acabou se mudando para a Argentina. Após um incêndio, o dono procurava descobrir o que fazer para se recuperar e decidiu voltar para o Brasil, fazendo uma experiência pouco comum para a região do jardins (lugar da primeira loja): vender pizza aos pedaços, numa loja de frente para um poste e no meio de um público que aparentemente acharia que comer pizza com a mão era praticamente um sacrilégio contra Nossa Senhora das Boas Maneiras. Mal sabia ela que quase tudo ia acabar em escarola com anchovas…

Dois anos depois, Danilo compra a loja dos jardins e parte imediatamente para uma outra aposta: montar uma loja apertada, no meio de uma infestação de outros fast-foods, com degrau na porta (nada friendly para cadeirantes), lá no centrão e com o mesmo produto: pizza em fatias. Boom!

O Pedaço da Pizza | hdr foto: sanpicciarelli © photo

O Pedaço da Pizza | foto: sanpicciarelli © photography

Desde então, as filas do Espaço Unibanco se misturam com a fila para a massa do pré-filme, que vem sempre bem servida de ingredientes tradicionais e também exóticos (como a de três cogumelos e a de shimeji com couve). Segundo Danilo – e a experiência cativa deste que vos fala – a pizza “não dobra na mão” mesmo e frescuras do tipo luvinha e garfo são meras distrações da inconveniência. Com um bom punhado de pimenta sêca, azeite extra-virgem e alho assado, as pratas da casa, fechou que a sua ‘fome sem hora’ está com os minutos contados.

A baixa-Augusta pode muito provavelmente ser o único lugar onde podemos dizer com tranquilidade politicamente correta que tudo pode acabar em pizza. Não é por acaso que a tal lojinha recebe uma maioria de pessoas – de todos os tipos e em todos os horários – que vão sozinhas ou em pequenos grupos para se esbaldar até com pizza de chocolate com morango ou com banana. Não há larica que aguente…

O curioso é notar que para os paulistanos a idéia de pizza de balcão é mais velha que pizza de mozzarella. Basta perguntar a qualquer um que já se des-esfomeou com dois ou três pedaços no buteco ou na padaria mais próxima. É claro que muito provavelmente não se pode fazer isso com uma fatia finalizada na hora, com bom preço e ingredientes para todos os gostos lá no seu buteco preferido. E se você chegar de madrugada então, provavelmente vai comer algo que já mereceria uma velinha de aniversário de tão ‘novinha’.

Se lhe incomoda uma muvuquinha apertada e um bom bate-papo na fila de espera (que certamente vai lhe pegar às noitinhas cinematográficas), de certo que você ou não é bom paulista, ou é melhor fazer uma reserva num restaurante com manobrista aqui da região.

Já se você se satisfaz com chão de madeira, mesas harmoniosamente diferentes umas das outras e um playlist de música ambiente de gosto bem bacana, como a pizza, o neon aceso na porta avisa que você pode chegar a qualquer hora do dia ou da noite.

Uma curiosidade que o Danilo que contou… de tão à vontade que as pessoas se sentem, cantando alto junto com a música, olhando para os graffitis na parede ou compartilhando as grandes mesas com desconhecidos, vira-e-mexe estava acontecendo de algumas pessoas simplesmente entrarem na cozinha, pegar uma faca e cortar as suas fatias de limão para mergulhar no gargalo da garrafa da cerveja Sol – loura do tipo mexicana que claro, não pode faltar.

Segundo o jovem proprietário da casa, o bem-estar é mais do que bem-vindo, mas pede-se ao bom senso para evitar invadir o reduto do pizzaiolo!

Vai que é massa! Anote:

Serviço:

O Pedaço da Pizza
Rua Augusta, 1463 (Loja Bela Vista)

(abre sempre ao meio-dia)
Segundas: fecha às 22hs50
Terças/Quartas: fecha às 04hs00
Quintas/Sexatas: fecha às 05hs00
Domingos/Feriados: fecha às 02hs00

Aceita cartões de crédito, débito e redeshop e
No horário comercial aceita Visa-Vale, TR Eletrônico, VR Smart e Sodexho Pass.

San Picciarelli


Entrevista: As boas marcas…

// abril 23rd, 2009 // Feedback? » // Arte, Colunistas, Crítica Artística, Entrevistas, San Picciarelli

Deixar marcas é uma das características mais certeiras da Rua Augusta… É muito provável que em algum momento, algo seja impresso naqueles que passam por ela. Atualmente ciculam em média cerca de 250 mil pessoas mensalmente pela região da baixa-Augusta, quer seja para passear ou só de passagem, para comer ou ser comido, a trabalho ou à toa.

Hoje no final da tarde eu tive contato com três caras muito bacanas que, ironicamente, também são especializados em deixar marcas nas pessoas. Estou falando de Léo, Zeca e Xim, os artistas tatuadores que estão à frente do New-Wind Tattoo Studio. É na curiosamente pacata galeria, bem à frente do espaço Unibanco de cinema, que há oito anos bate firme com os pés no chão um estúdio cheio de moral, atitude positiva e um público justificadamente fiel.

Tigre, Quadro da Casa

Tigre, Quadro da Casa

“Cara, eu tinha uma lojinha de body piercing ‘falidaça’ na Móoca e precisava urgentemente mudar de ares. Provavelmente ficaremos aqui por mais uns 50 anos… mas vir para cá foi meio que na cagada mesmo” comenta Léo, que em 2001 começou a rabiscar sua história com muito trabalho junto do amigo Carlos [ex-New Wind, que ficou por estas bandas por uns sete anos e agora está em seu estúdio próprio na região do Jabaquara]

O mais bacana foi descobrir que o New-Wind é praticamente um dos únicos estúdios de tattoo da cidade que trabalha exclusivamente com tatuagem ‘customizada’. “Se a tatuagem é da casa, então é um trabalho obrigatoriamente original e que não será repetido. Podemos até fazer a reprodução de algo que o cliente acaba trazendo para tatuar, mas nosso principal cliente é aquele que busca o estilo que cada um de nós estuda individualmente há anos” comentam os três sobre que tipo de trabalhos orientam o dia-a-dia do estúdio.

Se você é médico, advogado, plugado, aborrecente, engravatado, maluco, criativo ou então uma senhora de 65 anos que está atualmente terminando de cobrir os dois braços com seu grito aliviado de liberdade e os belos traços desses três locais, relaxa, nem se sinta o tal: o seu tipo já passou por aqui.

O estúdio não faz divulgação na mídia e não participa de ações comerciais ou de publicidade com sua arte. “Abominamos anúncios em revistas e jornais… rimos pacas disso o tempo todo. Nosso cliente gosta de tatuagem e nem de longe é aquele sujeito que encontra algo para carimbar no corpo numa revista de moda, fofoca, etc…” agulham Léo e Zeca, sem anestesia. “Se quiséssemos uma lista de espera, tava fácil…: é só entrar nessa máquina aí. Não temos qualquer interesse nisso” explica Léo ao pontuar sobre a facilidade de ajeitar os seus horários e não deixar nenhum cliente da casa de fora.

Como todo bom estúdio de tattoo deve ser, o New Wind não foge à regra e a acolhida é calorosa e também simples, uma combinação infalível. Há espaço para bons equipamentos e quadros artísticos que abraçam o mural com a temática da tattoo (pintados pelos três) e que só saem dali para se dependurar em raras exposições ou mostras, à convite. O lugar tem cor, ótima vibração e uma atitude positiva, receptiva… mas sem se esquecer de deixar bem claro que ali não se tatua curiosos ou quem não quer alcançar um vínculo com essa arte sempre muito atual.

Como coisa boa não está jogada por aí, quando passar pelos cinemas do espaço Unibanco dê uma olhadelha lá para cima da galeria e procure pelo letreiro em neon que convida a poucos: “TATTOO”. Se estiver acesso, então tem tinta na agulha, boa informação e gente fina na casa.

  • Léo foi fabricado na paz de Pindamonhangaba, mas o seu esboço final encontrou endereço na capital mesmo. É morador da baixa-Augusta e dá aulas de jiu-jitsu ao lado do Vegas Club, quando sobra tempo, e sua carreira é totalmente voltada para a arte e a tatuagem.
  • Não diferente na dedicação e no estudo, o gaúcho Zéca acaba de tirar a carteirinha de papai. De fala amigável, só dá para saber que ele veio do Sul se ele contar mesmo.
  • Aliás, nem mesmo o concentrado Xim, boa-praça original de alguma praça lá de Juiz de Fora, tampouco tem cara de mineiro. De tão unidos e dedicados que são, fazem escola até entre si. Xim está esperando para começar a pintar as paredes do quarto de casa – vai ser ‘pappá’ também. Agora, só falta o Léo…

Bem gravados na vibração da Augusta de longa data, vindo de todo o canto, e com uma puta cara de paulista.

Anote aí, o Serviço é o seguinte:

New Wind Studio

Léo, Zeca e Xim

1492, Rua Augusta – sala 23

www.fotolog.com/new_wind

Confira fotos da entrevista:

San Picciarelli