Arquivo: Crítica Artística

Bala gringa; revólver nacional…

// novembro 16th, 2009 // Feedback? » // Cinema, Crítica Artística, San Picciarelli

Mais um brazzie-cineasta a caminho de hollywood. O diretor e cineasta Heitor Dhalia é a bola da vez em Los Angeles e vai dirigir um suspensão daqueles (pelo menos na obra original) chamado “April 23″.

A origem da película vai beber na fonte do livro “Sadness at Leaving“, um thriller-romance a la Espionage, escrito pelo turco Erje Ayden entre as décadas de 60 e 70.

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IMPORT EXPORT

// maio 23rd, 2009 // Feedback? » // Cinema, Crítica Artística, Programação

poster.jpgNo primeiro plano de Import Export, vemos um senhor que tenta ligar uma moto, bem no meio de um enquadramento dominado por informações visuais de um inverno rigoroso, com muita neve por todos os lados. A moto não pega, mas aparece de repente o nome do filme. Corta para uma enfermeira andando no mesmo cenário gélido. É a ela que seguiremos, numa história que corre paralelamente a de um jovem que tenta a vida como segurança, e se depara com alguns marginais – e agiotas – no caminho.

Ela é uma ucraniana insatisfeita com o emprego que resolve tentar a vida numa espécie depeepshow virtual. Depois consegue trabalho como babá de um menino mimado, filho de uma mulher arrogante. Ele é um jovem rebelde, que gosta do confronto, da agressão. O senhor que tentava ligar a moto provavelmente está ali para passar a idéia de fracasso que vai permear toda a narrativa, ilustrada por situações em que os personagens são submetidos a situações constrangedoras.

O nome do filme vem da tentativa dos personagens principais de tentar uma situação melhor em outros países. Ela vai para a Europa central, mas não foge do frio físico e emocional. Ele vai para o leste, e conhece situações de pobreza humana que em sua Áustria natal se mantinha escondida nas entranhas da mente das pessoas. Ninguém é inocente, nenhum personagem tem direito a tréguas, ou mesmo a um respiro para se recompor. Esse momento nós não vemos.

Ulrich Seidl, diretor de Import Export, pertence à mesma linhagem de Michael Haneke (Violência Gratuita). Não por acaso, os dois são austríacos. Vendo seus filmes, ficamos com a impressão de que viver num presídio brasileiro é menos sofrível do que na Áustria, ou mesmo na Europa. São críticos da sociedade, austríaca principalmente. Porém, ao contrário de Haneke, Seidl não consegue extrapolar as amarras de seu cinema observacional da indiferença – que no caso de Import Export não é só humana, mas está em todos os cenários e situações pelos quais os personagens passam.

Se notamos um grande avanço em relação ao longa de ficção anterior de Seidl, Dias de Cão – filme cruel que angariou muitos fãs entre os espectadores de festivais, incluindo os brasileiros -, ainda sentimos que a frieza mostrada na frente e por trás das câmeras termina por emperrar qualquer pretensão ao estudo das relações humanas que parece implícito em cada cena deste novo longa.

Import Export não é difícil de ver até o fim, pois algumas imagens são bem pensadas, e Seidl definitivamente aprendeu a posicionar um ator diante de uma câmera. Mas é estéril, caindo na própria armadilha que armou.

fonte: Sérgio Alpendre - criticas@cineclick.com.br
Onde?
Unibanco Arteplex São Paulo, às 21:30

Entrevista: As boas marcas…

// abril 23rd, 2009 // Feedback? » // Arte, Colunistas, Crítica Artística, Entrevistas, San Picciarelli

Deixar marcas é uma das características mais certeiras da Rua Augusta… É muito provável que em algum momento, algo seja impresso naqueles que passam por ela. Atualmente ciculam em média cerca de 250 mil pessoas mensalmente pela região da baixa-Augusta, quer seja para passear ou só de passagem, para comer ou ser comido, a trabalho ou à toa.

Hoje no final da tarde eu tive contato com três caras muito bacanas que, ironicamente, também são especializados em deixar marcas nas pessoas. Estou falando de Léo, Zeca e Xim, os artistas tatuadores que estão à frente do New-Wind Tattoo Studio. É na curiosamente pacata galeria, bem à frente do espaço Unibanco de cinema, que há oito anos bate firme com os pés no chão um estúdio cheio de moral, atitude positiva e um público justificadamente fiel.

Tigre, Quadro da Casa

Tigre, Quadro da Casa

“Cara, eu tinha uma lojinha de body piercing ‘falidaça’ na Móoca e precisava urgentemente mudar de ares. Provavelmente ficaremos aqui por mais uns 50 anos… mas vir para cá foi meio que na cagada mesmo” comenta Léo, que em 2001 começou a rabiscar sua história com muito trabalho junto do amigo Carlos [ex-New Wind, que ficou por estas bandas por uns sete anos e agora está em seu estúdio próprio na região do Jabaquara]

O mais bacana foi descobrir que o New-Wind é praticamente um dos únicos estúdios de tattoo da cidade que trabalha exclusivamente com tatuagem ‘customizada’. “Se a tatuagem é da casa, então é um trabalho obrigatoriamente original e que não será repetido. Podemos até fazer a reprodução de algo que o cliente acaba trazendo para tatuar, mas nosso principal cliente é aquele que busca o estilo que cada um de nós estuda individualmente há anos” comentam os três sobre que tipo de trabalhos orientam o dia-a-dia do estúdio.

Se você é médico, advogado, plugado, aborrecente, engravatado, maluco, criativo ou então uma senhora de 65 anos que está atualmente terminando de cobrir os dois braços com seu grito aliviado de liberdade e os belos traços desses três locais, relaxa, nem se sinta o tal: o seu tipo já passou por aqui.

O estúdio não faz divulgação na mídia e não participa de ações comerciais ou de publicidade com sua arte. “Abominamos anúncios em revistas e jornais… rimos pacas disso o tempo todo. Nosso cliente gosta de tatuagem e nem de longe é aquele sujeito que encontra algo para carimbar no corpo numa revista de moda, fofoca, etc…” agulham Léo e Zeca, sem anestesia. “Se quiséssemos uma lista de espera, tava fácil…: é só entrar nessa máquina aí. Não temos qualquer interesse nisso” explica Léo ao pontuar sobre a facilidade de ajeitar os seus horários e não deixar nenhum cliente da casa de fora.

Como todo bom estúdio de tattoo deve ser, o New Wind não foge à regra e a acolhida é calorosa e também simples, uma combinação infalível. Há espaço para bons equipamentos e quadros artísticos que abraçam o mural com a temática da tattoo (pintados pelos três) e que só saem dali para se dependurar em raras exposições ou mostras, à convite. O lugar tem cor, ótima vibração e uma atitude positiva, receptiva… mas sem se esquecer de deixar bem claro que ali não se tatua curiosos ou quem não quer alcançar um vínculo com essa arte sempre muito atual.

Como coisa boa não está jogada por aí, quando passar pelos cinemas do espaço Unibanco dê uma olhadelha lá para cima da galeria e procure pelo letreiro em neon que convida a poucos: “TATTOO”. Se estiver acesso, então tem tinta na agulha, boa informação e gente fina na casa.

  • Léo foi fabricado na paz de Pindamonhangaba, mas o seu esboço final encontrou endereço na capital mesmo. É morador da baixa-Augusta e dá aulas de jiu-jitsu ao lado do Vegas Club, quando sobra tempo, e sua carreira é totalmente voltada para a arte e a tatuagem.
  • Não diferente na dedicação e no estudo, o gaúcho Zéca acaba de tirar a carteirinha de papai. De fala amigável, só dá para saber que ele veio do Sul se ele contar mesmo.
  • Aliás, nem mesmo o concentrado Xim, boa-praça original de alguma praça lá de Juiz de Fora, tampouco tem cara de mineiro. De tão unidos e dedicados que são, fazem escola até entre si. Xim está esperando para começar a pintar as paredes do quarto de casa – vai ser ‘pappá’ também. Agora, só falta o Léo…

Bem gravados na vibração da Augusta de longa data, vindo de todo o canto, e com uma puta cara de paulista.

Anote aí, o Serviço é o seguinte:

New Wind Studio

Léo, Zeca e Xim

1492, Rua Augusta – sala 23

www.fotolog.com/new_wind

Confira fotos da entrevista:

San Picciarelli


Filme: Tony Manero

// abril 17th, 2009 // Feedback? » // Cinema, Crítica Artística, Programação

 

Foto Divulgação

Filme: Tony Monero (Brasil/Chile)

Tony Manero é o primeiro filme chileno em circuito desde Machuca (2004) de Andrés Wood, dirigido por Pablo Larraín. Tony Manero chegou às telas brasileiras no dia 10 de abril, com ares de comédia, por fazer referência em seu titulo ao personagem que emplacou a carreira de Jonh Travolta e lhe rendeu a fama de “rei da discoteca”, em Os Embalos de Sábado à Noite (1977).

Aparentemente a linha condutora do filme é um período na vida de Raúl Peralta (Alfredo Castro), um homem de meia idade que sonha em se tornar o “Tony Manero do Chile” em um concurso na TV local, em meio à ditadura de Pinochet; no entanto ao longo dos 98 minutos, a trama nos revela de forma sutil quanto o momento histórico colocado subjetivamente como pano de fundo da historia é quem dá o timing do filme.

Em 1977, o ano de lançamento de Os Embalos de Sábado à Noite, o Chile já passava por quase quatro anos imerso na ditadura do General Augusto Pinochet, que impôs uma grande censura á todos os meios de expressão, abrindo espaço apenas para filmes Americanos e em especial musicais, o que explica a escolha de Tony Manero de John Travolta como ferramenta de construção do personagem central.

A forte censura da época, também é revelada de forma quase que subjetiva nas primeiras sequências, onde a produtora do programa da TV passa as informações para os participantes do concurso da semana, frisando que “não se pode falar mal do governo e fazer piada sujas” e ao longo do filme por meio da viúva de um militar que, após sofrer um assalto e ser ajudada por Raúl, ressalta a cor dos olhos azuis de Pinochet e usa o termo mapuche (na língua Mapundungu, gente da terra) para se referir de forma pejorativa ao povo chileno.

O diretor Pablo Larraín conclui sua crítica usando o micro cosmo onde o protagonista vive, uma pensão e bar onde todos os moradores idolatram o personagem central e o estimulam a trilhar o impossível para chegar a se tornar o mais próximo possível do seu ídolo, revelando uma teia de relações enfermas entre seus personagens que, somadas à decadência da cidade de Santiago, refletem de maneira brilhante a forma sombria na qual a classe média e baixa foi submetida durante da ditadura de Pinochet que só teve fim nos anos 90.

Tony Manero foi filmado digitalmente e em grande parte com câmera na mão o que imprime realismo nas cenas, em maior parte close nas expressões do protagonista, preferindo, dessa forma, usar desse artifício para sugerir situações violentas onde apenas as reações do protagonista são vistas.

Prêmios: vencedor do 4º Sanfic – Festival de Cinema de Santiago do Chile; Prêmio de Melhor Filme, Melhor Ator para Alfredo Castro e FIPRESCI no 26º Festival de Turim; Prêmios Coral de Melhor Filme e Melhor Ator para Alfredo Castro na 30º Edição do Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana; o canditado chileno ao Oscar 2009 na categoria de filme estrangeiro.

 

Tony Manero: Brasil/Chile (2008) – Direção Pablo Larraín.

Com Alfredo Castro, Amparo Noguera, Hector Morales, Paola Lattus, Elisa Probete.

 

Frei Caneca Unibanco Arteplex, Rua Frei Caneca, 569. Tel: 3472-2365
Sala 07 (103 lugares): 17h50

HSBC Belas Artes, Rua da Consolação, 2.423. Tel: 3258-4092
Sala Aleijadinho (154 lugares): 14h/21h30

Reserva Cultural de Cinema, Av. Paulista, 900. Tel: 3287-3529
Sala 04 (111 lugares): 17h15