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Central Entrevista: SAMORCC

// setembro 4th, 2009 // Feedback? » // Entrevistas, San Picciarelli

Para muitos, a baixa-Augusta é um lugar por onde passam milhares de pessoas todos os dias para trabalhar, mais outros milhares todas as tardes e noites para se divertir. Bem mais além disso, existem outras pessoas que dependem ainda mais do seu bom funcionamento e manutenção: seus moradores. Envolvendo todas as camadas e tipos para todos os gostos, o memso perfil cotidiano do trecho também serve para desvendar o tipo de pessoas que mora por aqui.

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Jornal-esmo…

// julho 6th, 2009 // Feedback? » // Colunistas, Crônicas, Para Ler!, San Picciarelli

Independente de quantos jornais, revistas e canais de TV nós assistimos todos os dias, o broadcasting dos “fatos” mudou completamente de meios e formatos. Diariamente, vemos a prova de que o próprio cotidiano dos grandes aglomerados e a fusão dos veículos mais sociais de comunicação eletrônica/digital assumem a frente da informação.

Ao invés de esperarmos que um editor decida em sua sala o que deve ou não ser impresso e distribuído, antes (muito antes) a informação já correu muitas redes de pessoas, já foi verificada e até mesmo inventada.

Na semana em que, de facto, morreu Michael Jackson, várias outras celebridades “seriam” também assassinadas pelo novo jornalismo livre. E isso não é privilégio apenas do mais desinformados ou mal-intencionados. Sites grandes como a próprio UOL repassou a notícia de que a cantora pop juvenil Lady Gaga teria cometido suicídio ao saber que um de seus ídolos havia morrido. Aliás, enviei pessoalmente uma comunicação de errata à UOL notificando da não-verificação desta notícia até aquele momento. Algo que infelizmente não produziu qualquer resposta. O fato é que a notícia foi ao ar.

Tanto foi que, excentricidades dos tempos modernos à parte, penso que o tema merece um pouco mais de atenção que roupas pretas, panelas apanhando de jovens com seus narizes pintados de vermelho aqui na cabeça da baixa-Augusta. Com o povo ligado à tudo (muitas vezes, também à nada) através de seus celulares e smartphones, não demorou muito e pude ver umas meninas lamentando – e repassando – a tal notícia de que aquela artista havia cometido suicídio diante da morte de Michael Jackson. Assim mesmo, enquanto mordia uma fatia de pizza de balcão e escrutinava a tela de seu celular… “Gente, a Lady Gaga se matou…”.

Desconfortavelmente, por exemplo, tem crescido o número assaltos e furtos de celular na região da Paulista e da Augusta. Na maioria das vezes basta apenas estar andando próximo ao meio-fio e falando ao celular ao mesmo tempo para ser alvo fácil da molecada de bicicleta – ou a pé mesmo – para dizer adeus ao seu aparelho favorito.

Há algumas noites atrás, na semana passada, estava revendo textos tarde da noite quando ouvi quatro estampidos. Imediatamente, peguei a câmera e desci para a portaria do prédio. Cruzando ruas e procurando falar com quem por lá estava (já passava das 01hs00 da madrugada…), depois de filtrar a coisa toda, o resumo deu no seguinte: um suposto policial à paisana deu dois tiros para o alto e mais dois na direção de um sujeito suspeito que aparentemente não teve êxito em mais uma tentativa de assalto. Ninguém quer falar, ninguém quer aparecer.

Claro, especialmente se você está transitando pela rua a essa hora… o anonimato pode ser um cobertor quente, ao mesmo tempo que pode ser uma boa ducha de água fria.

No dia seguinte pouco se comenta, exceto o “… isso já está ficando normal por aqui”, o que não passa de algo no mínimo inaceitável, tanto para quem trabalha e passa pela região todo os dias, como também (especialmente) para quem mora por aqui.

Mais uma dessas é o ‘assunto’ entre os moradores da região a respeito de um certo time de malandros que andava roubando os cabos de tv à cabo e de internet, vejam só, instalados sob as calçadas do bairro, em longos corredores subterrâneos que percorrem grandes distâncias abaixo do solo.

A coisa de uns dois meses atrás, algum morador do bairro fez uma denúncia e a polícia apareceu. Sim, apareceu mas não porque os tais cabos e fios estavam sendo subtraidos debaixo da terra, mas sim porque corria a informação de que duas moradoras do bairro, uma senhora e uma moça mais jovem, haviam sido violentadas e mortas e estavam dentro dos tais túneis subterrâneos.

Conversando com oficiais da polícia científica e da polícia militar na ocasião, pude constatar que haviam de facto evidências do tal roubo como ele havia sido inicialmente descrito. Eles fotografaram tênis, cobertores e outras traquitanas lá por baixo, dando conta de que havia mesmo pessoas transitando por ali. Felizmente, não foram encontradas as tais mulheres – que aos montes já ocupavam o assunto de diversas portarias e prédios da região. A polícia veio. Sim, fato. Isolou a área por um curto período, fotografou, partiu. Mas por que razão? Pelo tal roubo real ? Pelas tais mulheres fabricadas? Por ambos?

fonte: WorldWideWeb

Outro fato é que nada disso virou ‘notícia’ nos meios de comunicação mais usuais. Lembro-me de ouvir uma repórter que, de dentro de sua unidade móvel com adesivos da RedeTV perguntou se era mesmo o caso das mulheres ou apenas de um roubo. Ao saber que felizmente não se encontrou nenhum corpo, e sem fazer qualquer anotação (claro, isso não dá “pauta”, apenas a miséria humana explorada até o osso dá), ligou o carro e tal qual todo mundo, também partiu.

Fios de internet, cabos, celulares e aparelhos portáteis… No meio da desinformação, nem mesmo os próprios instrumentos de informação escapam. E como tem dito a propaganda do Jornal o Estado (Estadão) “Informação e Conhecimento são coisas diferentes”. Sim, correto.

Entretanto, o dia-a-dia de nossa cidadania precisa de mais, muito mais. Ambos, informação e conhecimento são indispensáveis para uma sociedade útil e ativa. O que ao meu ver ainda é parco e sua percepção e amplo em sua carência é a “transmissão” de ambos. Vou repetir a palavra… “trans-mis-são”.

Ao retornarmos ao tempo em que o jornalismo não dependia de certificações institucionais para transmitir-se, voltamos à possibilidade de uma época mais susceptível ao avanço “via seu próprio povo” do que qualquer outro contrário. Penso que nem vale à pena comentar os já exaustos comparativos com médicos e advogados… mesmo sendo eu um jovem filho de uma ex-jornalista de carreira da Folha de São Paulo.

Nos afastamos dos padrões de países como Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia, que ainda também exigem o diploma para o exercício da profissão.

Em países como Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia e Suíça – agora também o Brasil – não só é mais alto o nível e profundidade técnica da cobertura jornalísitica, como também é mínimo (senão quase inexistente) o número de profissionais sem qualquer formação direta ou indiretamente ligadas à TRANSMISSÃO da informação e do conhecimento.

E como nos disse via Twitter o comediante Rafinha Bastos, “Estude para aprender, não para obter uma cela especial. Foda-se o diploma (de jornalismo)”.

Quer manter seu celular? Será então que você quer continuar a usar sua internet ou assistir seus programas favoritos sem ter que ligar reclamando que ambos não estão funcionando porque alguém anda subtraindo os cabos nos túneis da rua? Ou talvez você queira resolver de uma vez por todas tantos outros problemas do seu bairro, sua cidade, seu país? Então, pare de re-clamar sem qualquer reflexão, arregace as mangas e… transmita!

Transmita informação e conhecimento verificados, entretenedores, utilizáveis, úteis… enfim. Quando alguém lhe transmitir algo parecido com “vamos às ruas tirar um corrputo do poder… o local é o MASP (ou outro qualquer), as horas serão 19hs”, saia detrás de seu cômodo teclado e de seu cínico Copy-n-Paste e vá até lá. Noventa e poucos presentes AINDA ganham em transmitir a mensagem mais ideal, mesmo diante de centenas de milhares deretweets via internet. É boa a hora para dinstinguir a transmissão da contaminação e, aqui, o termo viral muito bem se aplica. Contaminar NÃO é o mesmo que Transmitir.

Talvez seja tempo de remodelar o tal ditado de nossos avós “falar é fácil”.Transmitir algo ativamente poderoso é bem MENOS fácil que só falar.

O verdadeiro poder não é, nunca foi e jamais deve ser de quem está ‘franqueado’ a transmitir.

Esse poder aí – o poder de transmitir – é nosso. Quem autoriza é você, sou eu.