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IMPORT EXPORT

// maio 23rd, 2009 // Feedback? » // Cinema, Crítica Artística, Programação

poster.jpgNo primeiro plano de Import Export, vemos um senhor que tenta ligar uma moto, bem no meio de um enquadramento dominado por informações visuais de um inverno rigoroso, com muita neve por todos os lados. A moto não pega, mas aparece de repente o nome do filme. Corta para uma enfermeira andando no mesmo cenário gélido. É a ela que seguiremos, numa história que corre paralelamente a de um jovem que tenta a vida como segurança, e se depara com alguns marginais – e agiotas – no caminho.

Ela é uma ucraniana insatisfeita com o emprego que resolve tentar a vida numa espécie depeepshow virtual. Depois consegue trabalho como babá de um menino mimado, filho de uma mulher arrogante. Ele é um jovem rebelde, que gosta do confronto, da agressão. O senhor que tentava ligar a moto provavelmente está ali para passar a idéia de fracasso que vai permear toda a narrativa, ilustrada por situações em que os personagens são submetidos a situações constrangedoras.

O nome do filme vem da tentativa dos personagens principais de tentar uma situação melhor em outros países. Ela vai para a Europa central, mas não foge do frio físico e emocional. Ele vai para o leste, e conhece situações de pobreza humana que em sua Áustria natal se mantinha escondida nas entranhas da mente das pessoas. Ninguém é inocente, nenhum personagem tem direito a tréguas, ou mesmo a um respiro para se recompor. Esse momento nós não vemos.

Ulrich Seidl, diretor de Import Export, pertence à mesma linhagem de Michael Haneke (Violência Gratuita). Não por acaso, os dois são austríacos. Vendo seus filmes, ficamos com a impressão de que viver num presídio brasileiro é menos sofrível do que na Áustria, ou mesmo na Europa. São críticos da sociedade, austríaca principalmente. Porém, ao contrário de Haneke, Seidl não consegue extrapolar as amarras de seu cinema observacional da indiferença – que no caso de Import Export não é só humana, mas está em todos os cenários e situações pelos quais os personagens passam.

Se notamos um grande avanço em relação ao longa de ficção anterior de Seidl, Dias de Cão – filme cruel que angariou muitos fãs entre os espectadores de festivais, incluindo os brasileiros -, ainda sentimos que a frieza mostrada na frente e por trás das câmeras termina por emperrar qualquer pretensão ao estudo das relações humanas que parece implícito em cada cena deste novo longa.

Import Export não é difícil de ver até o fim, pois algumas imagens são bem pensadas, e Seidl definitivamente aprendeu a posicionar um ator diante de uma câmera. Mas é estéril, caindo na própria armadilha que armou.

fonte: Sérgio Alpendre - criticas@cineclick.com.br
Onde?
Unibanco Arteplex São Paulo, às 21:30

Cinema: Milagre em Santa Anna

// maio 8th, 2009 // 3 Feedbacks » // Cinema, Programação

Milagre em Santa Anna é o novo filme do diretor americano Spike Lee, consagrado por filmes polêmicos como Faça a Coisa Certa (1989) e Malcolm X (1992). Após um período mais voltado para projetos televisivos, ele ressurge na direção da adaptação da obra de mesmo nome do escritor e músico James McBride, que também se responsabilizou por roteirizar sua obra.

O projeto de Milagre em Santa Anna surgiu a partir de uma parceria da produtora de Spike Lee, 40 Acres & A Mule Filmworks, com o canal de TV italiano RAI, o que resultou em mais um filme que aborda a crueldade da II Guerra Mundial, dando ênfase aos que passaram pela região italiana de Toscana entre 1943 e 1944.

Aparentemente a trama cairia em um lugar-comum, como cai em muitos momentos, se não fosse um assassinato na primeira sequência a conduzir o espectador até o passado do assassino e de uma obra de arte encontrada em sua casa. Após sua prisão, o assassino revela a um repórter memórias – em forma de flashback – da sua experiência como soldado da 92ª Divisão Buffalo Soldier, formada apenas por negros, em que arriscou sua vida e a de três colegas para salvar um garoto italiano.

A trilha sonora instrumental de Terence Blanchard pretende ser épica, mas apenas antecipa os fatos da sequência seguinte, contribuindo para a exacerbação do melodrama. No entanto, é em meio a uma cena melodramática que se dá o melhor momento do filme: um garoto italiano (Matteo Sciabordi) vê pela primeira vez um negro, o soldado grandalhão Train (Omar Benson Miller) e acredita que ele seja um “gigante de chocolate”.

Questões polêmicas são o forte de Spike Lee, que além de discutir o racismo, procura trabalhar superficialmente questões referentes aos seguidores de Hitler, de Mussolini e do comunismo, entre outras, como quando aponta um latino-americano como herói e apresenta um nazista sensato.

Milagre em Santa Anna (Miracle at St. Anna): EUA
(2008) – Direção: Spike Lee
Com Derek Luke, Michael Ealy, Laz Alonso, Omar Benson Miller, Pierfrancesco Favino, Valentina Cervi, Matteo Sciabordi, John Turturro, Joseph Gordon-Levitt, John Leguizamo.
Produção: Roberto Cicutto, Spike Lee, Luigi Musini.
Roteiro: James McBride.
Fotografia: Matthew Libatique.
Trilha Sonora: Terence Blanchard.
Duração: 160 min.

Serviço (sempre confirme com o cinema antes de ir!):

Unibanco Arteplex Frei Caneca, R. Frei Caneca, 569, 3º piso. Tel.: 3472-2365. Sala 09 – 16h – 21h10

Gemini, Av. Paulista, 807. Tel.: 3289-3566. Sala 02 – 21h

 

Cinema: A Janela

// abril 30th, 2009 // Feedback? » // Cinema, Programação

A Janela (foto: divulgação

A Janela (foto: divulgação)

A Janela é o novo filme do argentino Carlos Sorin, o mesmo de O Cachorro (2004) e Histórias Mínimas (2002), que estreia nos cinemas de São Paulo.

A trama narra um período de 12 horas na vida de Antonio (Antonio “Taco” Larreta), um escritor de 86 anos, que após sofrer um problema cardíaco espera pela chegada de seu filho, que vive na Europa e com quem não fala há anos.

Em A Janela, Sorin continua dialogando com o neo-realismo italiano. Exemplo disso é a escolha do escritor uruguaio Antonio “Taco” Larreta de 85 anos para o papel do personagem, para dessa forma agregar um “Q” de realismo que não deveria ser interpretado e sim ser algo natural naquele que interpreta o papel.

No entanto, não foi apenas a escolha de “não-atores” que ressurge no novo filme de Sorín: o cenário, a paisagem da fazenda San Juan, apesar de se tratar de uma região no limite de Los Pampas, se parece muito com as planícies da Patagônia registradas na busca do protagonista de O Cachorro (2004) por um emprego.

Outro elemento da antiga fórmula de Sorin é a crítica social e econômica colocada de forma subjetiva na história. Em A Janela, dois personagens carregam essa função: o afinador de piano, que usando do bom humor fala da dificuldade de viver da arte na Argentina e em um segundo momento retira de dentro do piano dois soldadinhos de chumbo que estavam presos no maquinário, uma clara menção aos anos de ditadura na Argentina; e a esposa do filho do protagonista que, ao se preocupar apenas com uma ligação que lhe renderá lucros, afirma a fragilidade na estrutura familiar atual.

A Janela resulta em mais um filme de contemplação e reflexão de Carlos Sorin, que ao eleger um tema aparentemente corriqueiro acentua de forma poética todos os elementos ao seu redor, com ajuda da trilha sonora de Nicolás Sorin, que dá ritmo às 12 horas da vida do protagonista.

A inspiração, segundo Sorin, surgiu da união de diversos elementos, partindo da sua paixão pelos contos do escritor russo Antón Pavlovich Chéjov e pouco depois por sua biografia intitulada em espanhol por La dramática vida de Anton Chéjov, de Irene Nemirovsky, na qual existe a descrição das últimas horas do escritor no hotel de Badenweiler, se despedindo da esposa e de seu médico; somado ao fato particular do diretor ter perdido seu pai no ano passado.

 Prêmios: vencedor do FIPRESCI no Valladolid Internacional Film Festival 2008, indicado ao Golden Spike 2008.

 

A Janela (La Ventana): Argentina/Espanha (2008) – Direção: Carlos Sorin.
Com Maria Del Carmen Jímenez, Antonio Larreta, Alberto Ledesma, Emilse Róldan, Roberto Rovira, Victoria Herrera.
Produção: José Maria Morales.
Roteiro: Carlos Sorin, Pedro Maizal.
Fotografia: Julián Apezteguia.
Trilha Sonora: Nicolás Sorin.

Serviço (sempre ligue antes para o cinema):

Espaço Unibanco de CinemaRua Augusta, 1.470/1.475. Tel.: 3288-6780. Sala 02 – 14h – 16h – 20h – 22h

Frei Caneca Unibanco Arteplex, R. Frei Caneca, 569, 3º piso. Tel.: 3472-2365. Sala 05 – 14h50 – 16h40 – 18h30 – 20h20 – 22h10

Reserva Cultural de CinemaAv. Paulista, 900. Tel.: 3287-3529. Sala 03 - 13h – 14h40 – 16h25 – 18h10 – 19h50 – 21h30


A Janela (foto: divulgação

A Janela (foto: divulgação)

A Janela é o novo filme do argentino Carlos Sorin, o mesmo de O Cachorro (2004) e Histórias Mínimas (2002), que estreia nos cinemas de São Paulo.

A trama narra um período de 12 horas na vida de Antonio (Antonio “Taco” Larreta), um escritor de 86 anos, que após sofrer um problema cardíaco espera pela chegada de seu filho, que vive na Europa e com quem não fala há anos.

Em A Janela, Sorin continua dialogando com o neo-realismo italiano. Exemplo disso é a escolha do escritor uruguaio Antonio “Taco” Larreta de 85 anos para o papel do personagem, para dessa forma agregar um “Q” de realismo que não deveria ser interpretado e sim ser algo natural naquele que interpreta o papel.

No entanto, não foi apenas a escolha de “não-atores” que ressurge no novo filme de Sorín: o cenário, a paisagem da fazenda San Juan, apesar de se tratar de uma região no limite de Los Pampas, se parece muito com as planícies da Patagônia registradas na busca do protagonista de O Cachorro (2004) por um emprego.

Outro elemento da antiga fórmula de Sorin é a crítica social e econômica colocada de forma subjetiva na história. Em A Janela, dois personagens carregam essa função: o afinador de piano, que usando do bom humor fala da dificuldade de viver da arte na Argentina e em um segundo momento retira de dentro do piano dois soldadinhos de chumbo que estavam presos no maquinário, uma clara menção aos anos de ditadura na Argentina; e a esposa do filho do protagonista que, ao se preocupar apenas com uma ligação que lhe renderá lucros, afirma a fragilidade na estrutura familiar atual.

A Janela resulta em mais um filme de contemplação e reflexão de Carlos Sorin, que ao eleger um tema aparentemente corriqueiro acentua de forma poética todos os elementos ao seu redor, com ajuda da trilha sonora de Nicolás Sorin, que dá ritmo às 12 horas da vida do protagonista.

A inspiração, segundo Sorin, surgiu da união de diversos elementos, partindo da sua paixão pelos contos do escritor russo Antón Pavlovich Chéjov e pouco depois por sua biografia intitulada em espanhol por La dramática vida de Anton Chéjov, de Irene Nemirovsky, na qual existe a descrição das últimas horas do escritor no hotel de Badenweiler, se despedindo da esposa e de seu médico; somado ao fato particular do diretor ter perdido seu pai no ano passado.

Prêmios: vencedor do FIPRESCI no Valladolid Internacional Film Festival 2008, indicado ao Golden Spike 2008.

A Janela (La Ventana): Argentina/Espanha (2008) – Direção: Carlos Sorin.
Com Maria Del Carmen Jímenez, Antonio Larreta, Alberto Ledesma, Emilse Róldan, Roberto Rovira, Victoria Herrera.
Produção: José Maria Morales.
Roteiro: Carlos Sorin, Pedro Maizal.
Fotografia: Julián Apezteguia.
Trilha Sonora: Nicolás Sorin.

Serviço (sempre ligue antes para o cinema):

Espaço Unibanco de Cinema, Rua Augusta, 1.470/1.475. Tel.: 3288-6780. Sala 02 – 14h – 16h – 20h – 22h

Frei Caneca Unibanco Arteplex, R. Frei Caneca, 569, 3º piso. Tel.: 3472-2365. Sala 05 – 14h50 – 16h40 – 18h30 – 20h20 – 22h10

Reserva Cultural de Cinema, Av. Paulista, 900. Tel.: 3287-3529. Sala 03 – 13h – 14h40 – 16h25 – 18h10 – 19h50 – 21h30


A Janela (foto: divulgação

A Janela (foto: divulgação)

A Janela é o novo filme do argentino Carlos Sorin, o mesmo de O Cachorro (2004) e Histórias Mínimas (2002), que estreia nos cinemas de São Paulo.

A trama narra um período de 12 horas na vida de Antonio (Antonio “Taco” Larreta), um escritor de 86 anos, que após sofrer um problema cardíaco espera pela chegada de seu filho, que vive na Europa e com quem não fala há anos.

Em A Janela, Sorin continua dialogando com o neo-realismo italiano. Exemplo disso é a escolha do escritor uruguaio Antonio “Taco” Larreta de 85 anos para o papel do personagem, para dessa forma agregar um “Q” de realismo que não deveria ser interpretado e sim ser algo natural naquele que interpreta o papel.

No entanto, não foi apenas a escolha de “não-atores” que ressurge no novo filme de Sorín: o cenário, a paisagem da fazenda San Juan, apesar de se tratar de uma região no limite de Los Pampas, se parece muito com as planícies da Patagônia registradas na busca do protagonista de O Cachorro (2004) por um emprego.

Outro elemento da antiga fórmula de Sorin é a crítica social e econômica colocada de forma subjetiva na história. Em A Janela, dois personagens carregam essa função: o afinador de piano, que usando do bom humor fala da dificuldade de viver da arte na Argentina e em um segundo momento retira de dentro do piano dois soldadinhos de chumbo que estavam presos no maquinário, uma clara menção aos anos de ditadura na Argentina; e a esposa do filho do protagonista que, ao se preocupar apenas com uma ligação que lhe renderá lucros, afirma a fragilidade na estrutura familiar atual.

A Janela resulta em mais um filme de contemplação e reflexão de Carlos Sorin, que ao eleger um tema aparentemente corriqueiro acentua de forma poética todos os elementos ao seu redor, com ajuda da trilha sonora de Nicolás Sorin, que dá ritmo às 12 horas da vida do protagonista.

A inspiração, segundo Sorin, surgiu da união de diversos elementos, partindo da sua paixão pelos contos do escritor russo Antón Pavlovich Chéjov e pouco depois por sua biografia intitulada em espanhol por La dramática vida de Anton Chéjov, de Irene Nemirovsky, na qual existe a descrição das últimas horas do escritor no hotel de Badenweiler, se despedindo da esposa e de seu médico; somado ao fato particular do diretor ter perdido seu pai no ano passado.

 Prêmios: vencedor do FIPRESCI no Valladolid Internacional Film Festival 2008, indicado ao Golden Spike 2008.

 

A Janela (La Ventana): Argentina/Espanha (2008) – Direção: Carlos Sorin.
Com Maria Del Carmen Jímenez, Antonio Larreta, Alberto Ledesma, Emilse Róldan, Roberto Rovira, Victoria Herrera.
Produção: José Maria Morales.
Roteiro: Carlos Sorin, Pedro Maizal.
Fotografia: Julián Apezteguia.
Trilha Sonora: Nicolás Sorin.

Serviço (sempre ligue antes para o cinema):

Espaço Unibanco de CinemaRua Augusta, 1.470/1.475. Tel.: 3288-6780. Sala 02 – 14h – 16h – 20h – 22h

Frei Caneca Unibanco Arteplex, R. Frei Caneca, 569, 3º piso. Tel.: 3472-2365. Sala 05 – 14h50 – 16h40 – 18h30 – 20h20 – 22h10

Reserva Cultural de CinemaAv. Paulista, 900. Tel.: 3287-3529. Sala 03 - 13h – 14h40 – 16h25 – 18h10 – 19h50 – 21h30


Cinema: Valsa com Bashir

// abril 25th, 2009 // Feedback? » // Cinema, Programação

    Valsa com Bashir (foto: Divulgação)

Valsa com Bashir é o primeiro documentário de animação do diretor israelense Aril Folman, produto de suas experiências vividas como ex-soldado de Israel, quando lutou na Guerra Civil Libanesa em 1982. O filme foi à única animação que concorreu a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008, assim como Persépolis (2007), da iraniana Marjane Satrapi que concorreu da mesma forma em 2007.

O título faz referência ao presidente eleito no Líbano em 1982, Bashir Gemayel, assassinado dias antes de assumir o poder por radicais sírios e palestinos – o que serviu de pretexto para o avanço dos judeus até a capital do Líbano, Beirute. A invasão resultou na morte de cerca de três mil palestinos, em apenas três dias, intitulada de Massacre de Sabra e Chatila.

Folman afirma que seu longa não é político apesar de se tratar de uma busca do protagonista, 20 anos depois, para se lembrar o que ocorreu com ele durante a guerra, por meio de memórias de seus companheiros de luta. Tais memórias são evocadas por meio de flash back, que reconstroem uma linha do tempo dos fatos políticos ocorridos durante esse período.

O longa é feito em animação com desenhos a mão em que Folman optou por transformar rostos de pessoas reais em personagens, fazendo com que a animação se aproxime esteticamente das histórias em quadrinho. Já os elementos que dialogam mais com o documentário surgem por meio da mescla de depoimentos de seus companheiros, psicólogos, entre outros, com imagens e fotos falsamente reais. O cuidado em imprimir uma realidade cinematográfica na animação é visível no enquadramento que imita movimentos de câmera como: o plano contra plano, travellings, além do uso de elementos do cinema clássico como o flash back.

Valsa com Bashir chega para reafirmar a força desse novo gênero, documentário de animação, na produção cinematográfica mundial, que também ganhou repercussão em terras tupiniquins por meio do curta documentário em animação stop motion do diretor Cesar Cabral, intitulado Dossiê Rê Bordosa (2008), um dos campeões de público no 19° Curta Kinoforum – Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, em agosto de 2008.

 

Valsa com Bashir (Waltz with Bashi) | Israel / França / Alemanha (2008) | Direção: Ari Folman.

Espaço Unibanco de Cinema, Rua Augusta, 1.470/1.475. Tel: 3288-6780 (salas 1-2- 3)/ 3287-5590 (salas 4-5). Sala 5 (51 lugares): 22h

HSBC Belas Artes, Rua da Consolação, 2.423. Tel: 3258-4092

Sala Oscar Niemeyer (218 lugares): 14h30 (exceto sex.) – 16h30 – 18h30 – 20h30 – 22h (somente sáb.)

Reserva Cultural, Av. Paulista, 900. Tel: 3287-3529. Sala 1 (198 lugares): 15h – 21h20 (exceto ter.) – 23h10 (somente sáb.)


Persépolis (foto: Divulgação)

Persépolis (foto: Divulgação)

Persépolis: França/Irã (2007) – Direção: Marjane Satrapi e Vicente Paronnaud. 35° Festival SESC Melhores Filmes – 2009.

Cine SESC, Rua Augusta, 2075. Tel: 3087-0500. 25/04 – sábado – 17h.

 

 

Cinema: Sinédoque, Nova York

// abril 18th, 2009 // 1 Feedback » // Cinema

Estréia nessa sexta-feira o filme “Sinédoque, Nova York”, dirigido por Charlie Kaufman. A trama pode ser resumida em poucas palavras, mas que não darão a dimensão do filme. Após a mulher levar a filha para uma viagem sem expectativa de volta, o diretor de teatro Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman, … um dos melhores atores dos dias de hoje) recebe a incumbência de escrever sua primeira peça.

Sinédoque, Nova York (foto: Divulgação)

Sinédoque, Nova York (foto: Divulgação)

Em crise profunda e querendo criar algo real, Cotard, uma espécie de alter-ego de Kaufman, propõe refazer o seu mundo no palco – em cada detalhe –, para poder se observar, tentar se entender e compreender todos à sua volta. Assim, vemos uma cena que se passa na vida “real” se repetir exatamente igual na peça, dentro de um cenário que é a cópia milimétrica da original fora dos palcos.

Mas a história não é óbvia assim, nem segue uma cronologia como estamos acostumados. Se no início é uma comédia nervosa de erros, em que as tais figuras de linguagem são mais claras, como a hipocondria do protagonista aparecendo literalmente na sua pele, do meio para o fim, o longa fica amargo, triste, introspectivo, e cada vez mais enigmático. Não que seja impossível entendê-lo, mas é clara a vontade de Kaufman se ater mais às sensações que aos detalhes.

Com “Sinédoque”, o agora também diretor faz uma investigação sobre quem ele é e qual é o seu papel no mundo. Cotard cria um duplo para si mesmo – recurso que já tinha sido utilizado pelo próprio Kaufman em “Adaptação” –, observa o seu personagem tomando rumos que ele não seguiu e faz ressalvas quanto aos desenlaces. É um homem perdido, sozinho, que não sabe quais são suas motivações. Só fica satisfeito quando, apesar de ter a possibilidade de criar um mundo inteiro na ribalta – ou nas telonas – não precisa decidir o seu destino. Está cansado, confuso e quer apenas obedecer a um diretor que sopre suas falas pelo ponto eletrônico.

Nas mãos de outro diretor, seria um filme histórico, como aliás são os seus “Brilho eterno…” e o menos conhecido “A natureza quase humana”, ambos dirigidos pelo francês Michel Gondry. Nas de Kaufman, se torna um filme repetitivo. Mudando a figura de linguagem de sinédoque para pleonasmo vicioso.

fonte: G1

Direção: Charlie Kaufman

Frei Caneca Unibanco Arteplex – R. Frei Caneca, 569, 3º piso – Consolação – Centro. Telefone: 3472-2365. Ingresso: R$ 13 a R$ 18. Desc. 50% para correntistas do Itaú e Unibanco. sexta a quinta: 14h10, 16h40, 19h10 e 21h40. sábado: também às 24h. Tem som digital. Aceita cheques. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficiente. 125 lugares.

HSBC Belas Artes – R. da Consolação, 2.423 – Consolação – Centro. Telefone: 3258-4092. Aceita os cartões Diners, MasterCard, Visa. Ingresso: R$ 8 e R$ 16. sexta a quinta: 14h, 16h30, 19h e 21h30. Não tem som digital. Não aceita cheques. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficiente. 293 lugares.

Filme: Tony Manero

// abril 17th, 2009 // Feedback? » // Cinema, Crítica Artística, Programação

 

Foto Divulgação

Filme: Tony Monero (Brasil/Chile)

Tony Manero é o primeiro filme chileno em circuito desde Machuca (2004) de Andrés Wood, dirigido por Pablo Larraín. Tony Manero chegou às telas brasileiras no dia 10 de abril, com ares de comédia, por fazer referência em seu titulo ao personagem que emplacou a carreira de Jonh Travolta e lhe rendeu a fama de “rei da discoteca”, em Os Embalos de Sábado à Noite (1977).

Aparentemente a linha condutora do filme é um período na vida de Raúl Peralta (Alfredo Castro), um homem de meia idade que sonha em se tornar o “Tony Manero do Chile” em um concurso na TV local, em meio à ditadura de Pinochet; no entanto ao longo dos 98 minutos, a trama nos revela de forma sutil quanto o momento histórico colocado subjetivamente como pano de fundo da historia é quem dá o timing do filme.

Em 1977, o ano de lançamento de Os Embalos de Sábado à Noite, o Chile já passava por quase quatro anos imerso na ditadura do General Augusto Pinochet, que impôs uma grande censura á todos os meios de expressão, abrindo espaço apenas para filmes Americanos e em especial musicais, o que explica a escolha de Tony Manero de John Travolta como ferramenta de construção do personagem central.

A forte censura da época, também é revelada de forma quase que subjetiva nas primeiras sequências, onde a produtora do programa da TV passa as informações para os participantes do concurso da semana, frisando que “não se pode falar mal do governo e fazer piada sujas” e ao longo do filme por meio da viúva de um militar que, após sofrer um assalto e ser ajudada por Raúl, ressalta a cor dos olhos azuis de Pinochet e usa o termo mapuche (na língua Mapundungu, gente da terra) para se referir de forma pejorativa ao povo chileno.

O diretor Pablo Larraín conclui sua crítica usando o micro cosmo onde o protagonista vive, uma pensão e bar onde todos os moradores idolatram o personagem central e o estimulam a trilhar o impossível para chegar a se tornar o mais próximo possível do seu ídolo, revelando uma teia de relações enfermas entre seus personagens que, somadas à decadência da cidade de Santiago, refletem de maneira brilhante a forma sombria na qual a classe média e baixa foi submetida durante da ditadura de Pinochet que só teve fim nos anos 90.

Tony Manero foi filmado digitalmente e em grande parte com câmera na mão o que imprime realismo nas cenas, em maior parte close nas expressões do protagonista, preferindo, dessa forma, usar desse artifício para sugerir situações violentas onde apenas as reações do protagonista são vistas.

Prêmios: vencedor do 4º Sanfic – Festival de Cinema de Santiago do Chile; Prêmio de Melhor Filme, Melhor Ator para Alfredo Castro e FIPRESCI no 26º Festival de Turim; Prêmios Coral de Melhor Filme e Melhor Ator para Alfredo Castro na 30º Edição do Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana; o canditado chileno ao Oscar 2009 na categoria de filme estrangeiro.

 

Tony Manero: Brasil/Chile (2008) – Direção Pablo Larraín.

Com Alfredo Castro, Amparo Noguera, Hector Morales, Paola Lattus, Elisa Probete.

 

Frei Caneca Unibanco Arteplex, Rua Frei Caneca, 569. Tel: 3472-2365
Sala 07 (103 lugares): 17h50

HSBC Belas Artes, Rua da Consolação, 2.423. Tel: 3258-4092
Sala Aleijadinho (154 lugares): 14h/21h30

Reserva Cultural de Cinema, Av. Paulista, 900. Tel: 3287-3529
Sala 04 (111 lugares): 17h15